O ano em que morei no Canadá

Oi pessoal!

Muito tempo sem postar aqui no blog. A verdade é que eu voltei para a minha terra e agora já não faz tanto sentido continuar a postar por aqui.

Por outro lado, são tantas lembranças, tanto que ainda tenho a dizer, que não consigo me desvincular desse blog ainda.

Segue um vídeo que eu fiz para o pessoal que ficou por lá, para matar um pouco as saudades.

Toda vez que eu vejo o vídeo, penso em mil coisas e pessoas que ficaram de fora, mas acho que dá para se ter uma boa idéia de como foi essa minha experiência no Canadá.

O ano em que morei no Canadá

Clique na imagem para acessar o vídeo

Esse outro, abaixo, é um vídeo que eu fiz sobre o Brasil, para os gringos ficarem babando!

Espero que gostem!

O show

palco do showPois bem. Sem maiores delongas… eu fui ao show do U2!

Eu já havia comentado em outro post que faria o possível para conseguir ir ao show. E não é que deu? Existe até mesmo uma teoria de que esse show foi o que me motivou a prolongar a minha viagem por mais um mês (o meu contrato de trabalho já acabou desde agosto).

Bem, suposições à parte, o que importa é que no final das contas eu fui sim ao show!

Realmente foi um jeito incrível de fechar a minha viagem para o Canadá (já volto segunda, dia 21).

E olha que foi o meu primeiro show em estádio! Comecei com estilo, hein? Pensando bem, acho até que foi a primeira vez que eu fui a um estádio, mas enfim, essa parte a gente pula.

cn towerO estádio do Blue Jays em Toronto, o Rogers Centre, é lindo, o lugar perfeito para o show, com a CN Tower lá toda bonita (parecia até que a iluminação dela seguia as luzes do show).

Mas e o show, menina! Como foi?

Ah! O show de U2 é mesmo indescritível, foi emocionante ouvir músicas tão marcantes ao vivo, uma vibração maravilhosa.

Claro que, no Brasil, a empolgação da platéia teria sido outra. Mas eu tenho que dizer que aqui eu já fui a vários shows e jogos de hóquei e o mais perto que o público chegou de ter uma animação parecida com a do Brasil foi nesse show. Eles até ensaiaram uma “ola” antes do show começar (acredite, para os padrões daqui isso é quase que uma contravenção).

E a banda que abriu o show, a Snow Patrol, é bem legal, segue a linha do U2. Eles conseguiram animar metade do estádio (a outra metade só chegou em cima da hora de U2 começar). O vocalista dizia: “Daqui a instantes vocês estarão diante do melhor show de suas vidas! O nosso trabalho é fazer o aquecimento com vocês”.

Realmente… que show! Para mim só não foi melhor porque eu fui sozinha… snif! Mas o grupo que sentou ficou em pé nas cadeiras do meu lado era bem legal. Tinha até um inglês que, desde 1985, já tinha ido a 31 shows de U2, sendo que 3 só do 360 Tour, que começou no final de junho desse ano. E ele ainda voltaria com o grupo no dia seguinte, 17, para ver o segundo show em Toronto.

Enfim. Acho que não tenho mais como descrever. Fiz uma montagem rápida com pequenas filmagens que fiz durante o show, para vocês terem uma idéia. Pesquisando no youtube dá para encontrar bem mais.

E aí? Gostaram?

O poço no deserto

Pois é, faz tempo que eu não apareço por aqui. Tenho andado bem ocupada, ainda mais agora que estou organizando tudo para voltar pra casa: Recife, minha terra querida.

Então, embora se dependesse só da minha vontade eu escreveria um post beeeeem longo sobre os últimos acontecimentos e sobre tudo o que eu já fiz nessa minha visita a Toronto, pela falta de tempo resolvi falar apenas de um lugar que eu visitei em Toronto: um cinema.

Bem sei que cinema está longe de ser atração turística, mas é que essa minha visita foi algo assim extraordinário. Especial por eu estar perdida até descobrir que por ali deveria haver um cinema e único por se tratar de um cinema bem old fashion, desses com aquela bilheteria bem antiga, uns 50 lugares na sala e − pasmem − cortina de veludo vermelho na frente da tela que se abre na hora de começar o filme.

Enfim. Foi mais uma coisa bem legal desse dia que eu tirei só para mim. Melhor ainda por ter sido um filme inesperadamente bom, já que eu não tinha lá grandes expectativas em relação a ele.

O nome do filme é Adam e se trata de uma love story entre uma garota aspirante a escritora e um rapaz que tem sérios problemas de convívio social (ele tem uma variante de autismo).

Só sei que o filme me pegou de jeito já na cena de abertura, no primeiro trecho narrado pela garota. Algo como:

My favorite children’s book is about a little prince who came to Earth. When he came from the stars he found a pilot and teached him about love. My dad always said I was his little prince, but after I met Adam I realized I was the pilot all along.

Meu livro infantil favorito é sobre um pequeno príncipe que veio à Terra. Quando ele veio das estrelas, encontrou um piloto e o ensinou sobre o amor. Meu pai sempre disse que eu era o seu pequeno príncipe, mas, depois que eu conheci Adam, descobri que nesse tempo todo na verdade eu era o piloto…

É bem cliché, eu sei, mas, pra mim, só de ter começado fazendo uma analogia tão bonita com o Pequeno Príncipe, o filme já ganhou muitos pontos comigo.

Aliás, acho até que é por isso que essa “visita” ao cinema foi tão especial pra mim. Ela foi como uma passagem do Pequeno Príncipe, em que ele e o piloto estão perdidos no deserto à procura de água:

O que torna belo o deserto é que ele esconde um poço em algum lugar.

E assim o meu passeio pelas ruas de Toronto foi mais bonito, pois eu sabia que algo que eu queria muito se escondia ali em algum lugar…

Assim que der publico umas fotos. Por enquanto, aqui está o trailer (não encontrei legendado):

Father’s Day e o verão

Foto: Escultura da artista Susan Lordi, da marca Willow Tree.

Foto: Escultura da artista Susan Lordi, da marca Willow Tree.

E não é que no Canadá o Dia dos Pais (Father’s Day) é celebrado no terceiro domingo de junho? E não só por aqui, como também em mais de 50 países, entre eles: EUA, Inglaterra, França, Índia e Japão. Já na Itália, Espanha e Portugal, a data é celebrada em todo 19 de março, dia de São José.

Junto com o Brasil, apenas a pequena Samoa, localizada ao sul do Pacífico, na Polinésia, comemora o Dia dos Pais no segundo domingo de agosto, mesma data em que a Argentina comemora o Dia das Crianças (Día del Niño). Como no Brasil o feriado só existe há pouco mais de 50 anos (criado por um publicitário), provavelmente a escolha da data se deu ao fato de em março já termos Carnaval/Semana Santa e em junho o São João. Sobrou o mês de agosto, que não tem celebração nenhuma (lembra como no colégio, quando você é pequeno, cada mês é “mês de alguma coisa”, e já que em agosto não tem nada eles dizem que é o “mês do folclore”?!!).

Enfim. Hoje foi também o dia mais longo do ano, o solstício, com direito a apresentações de música e dança no Festival de Artes Aborígines, tanto em celebração a chegada do verão quanto em homenagem ao Dia Nacional dos Aborígines, o “Dia do Índio” canadense (logicamente não se pode comparar, quis apenas fazer um paralelo entre ambos).

Já eu não participei nem de uma festividade nem de outra. A comemoração foi em casa mesmo, onde eu assisti à vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Itália na Copa das Confederações, pela Internet.

Festival de Tulipas – Parte I

Tulip Festival, 15 de maio de 2009.

Tulip Festival, 15 de maio de 2009.

O evento por que Ottawa é mais conhecida é o Tulip Festival, considerado o maior Festival de Tulipas do mundo. Ele ocorre anualmente desde 1953 e atrai uma média de meio milhão de turistas a cada ano.

O festival acontece todo mês de maio (pois é, o post está um pouquinho atrasado), que é o mês da primavera aqui no Canadá (em abril ainda é inverno). Nesse ano o festival ocorreu de 1 a 18 de maio, com o seu encerramento no Victoria Day, feriado nacional canadense em homenagem à rainha Vitória (séc. XIX). Lembrando que o Canadá, assim como a Austrália e a Jamaica, são países atualmente reinados pela rainha Elizabeth II da Inglaterra.

As tulipas

As tulipas

Enfim. A principal mudança dessa edição foi a descentralização: o festival foi espalhado por diversas partes da cidade, cada uma com um tipo de atração diferente. Na região do lago Dow’s Lake, era possível ver a maior concentração de tulipas, enquanto que o Pavilhão Internacional foi montado no Glebe, com stands e performances de vários países. Já o Major Hill, parque do centro da cidade, contou com uma escola de circo.

Tapioca preparada pelo stand brasileiro no Festival das Tulipas.

Tapioca preparada pelo stand brasileiro no Festival das Tulipas.

No stand brasileiro tinha guaraná, pão de queijo, feijoada e até tapioca. O Brasil ainda foi muito bem representado por apresentações de dança e shows de samba e mpb, dos quais postarei alguns vídeos em breve.

Quanto às tulipas, essas personificaram a marca registrada do Canadá: a diversidade.  As suas cores e formas variadas deram vida e encanto a um festival que por si só já é repleto de magia, com os seus parques, rodas gigantes, carrosséis e muito mais.

Deixo vocês com algumas imagens desse belo festival.

 

Clique na imagem para ver as fotos.

Clique na imagem para ver as fotos.

Guia dos Aventureiros: Mantendo Contato

Exemplos de serviços de mensagens instantâneas (leitura e voz) e redes sociais. Na montagem: twitter, google talk, msn, gmail, skype, facebook e orkut.

Exemplos de serviços de mensagens instantâneas (leitura e voz) e redes sociais. Na montagem: twitter, google talk, msn, gmail, skype, facebook e orkut.

Não é nenhuma novidade: o mais difícil em qualquer viagem longa é enfrentar a distância da família e amigos.

Felizmente, a era digital tem o poder de aproximar pessoas. O objetivo desse post é dar dicas de tecnologias que podem ser utilizadas para esse fim.

Como os meios mostrados na imagem acima já são bastante divulgados e amplamente conhecidos, eu vou focar em um método de comunicação menos difundido, o VoIP (Voz sobre IP).

Okay, okay. O skype também oferece o serviço, mas, além de mais caro, na minha opinião é de menor qualidade.

Sobre o VoIP

Para quem não conhece a tecnologia, imagine poder fazer ligações gratuitas para praticamente qualquer ponto do globo. Esclareço desde já que não é completamente de graça, mas é quase. Vamos aos detalhes.

Nesses serviços, você paga uma taxa via cartão de crédito e ganha o direito de fazer ligações ilimitadas por um determinado período (60, 90 ou 120 dias). Depois que esse prazo termina, as ligações passam a ser cobradas com taxas simbólicas (1 ou 2 centavos por minuto), descontadas do seu total de “créditos” (aquela taxa que você pagou no início). Quando também esses créditos acabam, é só “recarregar” que o ciclo se reinicia (período grátis, seguido de desconto no saldo).

Como essas ligações são feitas?

Você liga a partir do seu computador (usando o microfone) e a pessoa atende do outro lado da linha pelo telefone, como em uma ligação normal. Embora nem sempre a ligação seja perfeita (pode haver eco, som atrasado, ruído etc), vale muito a pena. Uma dica é comprar um headset (daqueles utilizados em call-center), que pode ser encontrado nas lojas por um preço bastante em conta (a partir de 15 reais).

Caso você prefira ligar diretamente do seu telefone, esses softwares oferecem ainda a opção Phone2Phone, que, em contrapartida, cobra uma taxa por ligação. Além disso, é possível que o seu provedor de telefone cobre por essas chamadas, ainda que como se fossem ligações locais.

Escolhendo o serviço

Clique na imagem para acessar o 12VoIP.

Clique na imagem para acessar.

São várias as opções de serviços. Como escolher então? Tudo depende de onde você se encontra, pois cada empresa oferece um pacote diferenciado, limitado a determinados grupos de países espalhados pelo globo. De um modo geral, se você estiver em um país “desenvolvido”, como EUA/Canadá, a sua família poderá ligar de graça tanto para o telefone da sua casa/escola/trabalho, quanto para o seu celular. Já para ligações feitas ao Brasil serem gratuitas, só se for para um telefone fixo.

Um outro detalhe é que, como esses serviços são internacionais, normalmente a moeda de pagamento é o Euro. Como o valor da taxa cobrada pelo serviço gira em torno de 10 euros, no final equivale a você ter pago algo entre 25 e 30 reais.

Em relação às “ligações ilimitadas”, vale uma ressalva: se você for como eu e fala pelos cotovelos, há um momento em que o sistema acusa que você “ultrapassou a política de uso justo” e começa a cobrar pelas ligações. Caso isso aconteça, basta você passar um ou dois dias sem utilizar o serviço que as ligações voltam a ser gratuitas pelo tempo restante (há um contador que informa quantos dias faltam).

Passo a passo

Clique na imagem para acessar o JustVoip.

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1. Escolha o seu serviço VoIP. Particularmente eu gosto do 12VoIP, que oferece 90 dias de ligações grátis, e do JustVoIP (120 dias).

2. Faça o download do software e instale-o na sua máquina. Aconselho a escolher o idioma inglês (o português é de Portugal).

3. Cadastre-se e pague a taxa de 10 euros com o seu cartão de crédito.

4. Ligue à vontade (mas com moderação!)

12VoIP

Para finalizar, é importante ressaltar que, de nada vai adiantar o uso de tantas tecnologias se você não tiver a força de vontade necessária para manter contato com as pessoas que ama. Por tudo que você está vivendo em um “país estranho”, conseguir essa façanha pode ser bem difícil e, não importa o quanto você se esforce, sempre haverá alguém reclamando que você “está sumido”.

O jeito é seguir sempre tentando e dando o seu melhor. Um e-mail coletivo de vez em quando ajuda um bocado. Manter um blog então…

É isso. Espero que tenham gostado. Não deixem de mandar sugestões!

Um lápis

Foto: Getty images
Foto: Getty images

Outro dia estava conversando com minha mãe pelo Skype. Como é comum entre a gente, ao mesmo tempo em que nos falávamos eu estava distraída vendo alguma coisa no meu computador e ela estava trabalhando no dela, fazendo relatórios.

A gente gosta de conversar desse jeito porque assim parece até que eu estou com ela, lá em casa, no escritório, onde costumávamos fazer a mesma coisa: conversar enquanto cada uma se ocupava com suas atividades.

Melhor que isso só conversar com Mainha pelo telefone enquanto lavo pratos, mas essa já é uma outra história.

Voltando…

Em dado momento, eis que minha mãe pergunta, em tom de brincadeira:

“Filha, você por acaso viu o meu lápis?”

Para continuar a brincadeira, eu respondo:

“Ah, mãe! A senhora colocou o lápis bem aí no lado direito do notebook”, ao que minha mãe dá uma gargalhada, já que sabe que eu não posso ter visto onde ela o colocou.

Qual não é a sua surpresa quando encontra o lápis exatamente onde eu disse que estava.

“E não é que estava aqui mesmo? Como você soube? Viu pela webcam?”

Por essa eu também não esperava. Acho que a gente se conhece tão bem que até adivinha essas coisas.

Cada vez mais percebo que não importa a distância física, pois sei que no fundo sempre estaremos próximas, uma cuidando da outra.

De 10 de fevereiro.

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