E essa dor no peito?

E mal completou uma semana de “aventuras no Canadá” e já tive de ir ao médico.

Nada sério. Repentinamente, o calor dos primeiros dias (32º C) deu lugar a dias mais amenos e a noites um tanto quanto “geladas”. Meu organismo finalmente sentiu o peso das 10 “pressurizadas” horas de vôo, mais a diferença de clima e ambiente (muito seco) e sucumbiu a um resfriado.

Primeiro resfriado longe de casa. Começou “bobo”, mas acho que depois ficou bem “sabido”, porque evoluiu para uma tosse incessante acompanhada de uma crescente dor no peito.

Veio também pela primeira vez o peso da responsabilidade e certa solidão por estar “on my own” (por minha conta). Passei de olhos fechados o vick vaporub no peito imaginando ser minha mãe quem o passava e a seguir me cobria para eu dormir bem aquecida.

Enquanto isso, a alguns milhares de quilômetros, um pai e uma mãe mal conseguiam dormir tamanha a preocupação com a possibilidade de a filha estar com uma “pneumonia”. Superproteção ou não, a súplica de “por favor vá a um médico” atravessou o continente chegando ao outro hemisfério já como uma ordem, a ser cumprida de imediato.

No consultório “em casa” do “médico da família” (como eles chamam “clínico geral” por aqui), alguns casais de “vovôs e vovós” que pacientemente aguardavam a vez me fizeram companhia. Já na consulta, o médico, bastante compreensivo, assegurou que eu não tinha nada no pulmão e que “era apenas um resfriado”.

Sobre o “frio” que eu estava sentindo, ele explicou ainda que isso também aconteceu com ele, quando veio do Egito há mais de 20 anos, mas que isso era comum e que com o tempo todo mundo se acostuma. Era só uma fase de aclimatização. Ele mesmo estava atualmente dormindo com ar-condicionado.

Já quanto a “dor no peito”, ele só me perguntou uma coisa:

“Há quanto tempo você está no Canadá?”
“Uma semana”.
“Ahhh…” – como quem diz, “então é isso…”

E não disse mais nada.

Acho que é a isso que chamam “homesick”.

(Se “home” significa lar e “sick”, doente, poderia eu dizer que estava “doente de saudades de casa”?)

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Welcome Party

E não é que o pessoal da AIESEC organizou uma festa de Boas-Vindas pra mim?

Tirei zilhões de fotos com todo mundo e cheguei até a gravar vídeo com gringo dizendo “como vai?” para a câmera. Porém, para quem não está ciente do meu… como diria?… “desentendimento” com o meu laptop, esclareço que ele partiu batendo a porta (daquele jeito em que a casa toda estremece e se brincar até um pedaço do reboco da parede cai junto), levando consigo todas as nossas fotos, discos e momentos que partilhamos juntos [snif!].

Pelo menos recuperei esta foto, lá do blog de Thiago. Coloquei os nomes com as nacionalidades só para vocês terem uma idéia de como aqui eu tenho contato com o mundo inteiro já desde os primeiros dias.

Festa de Boas-Vindas. Scott's place. "The Glebe", Ottawa, ON, Canada. 25 de agosto de 2008.

Festa de Boas-Vindas. Scott's place. "The Glebe", Ottawa, ON, Canada. 25 de agosto de 2008.

Começando pela fileira de trás, sempre da esquerda para a direita: Danny (Equador), Scott (Canadá), Issam (Algéria), Dylam e Nick (Canadá), Kamala (Peru); Iman e Rosemary (Canadá), Jerry (China), Chrystal (Canadá), Thiago (Brasil), Francis (Canadá); Amos (Gana), Eu, Nicole e Paul (Canadá).

Vamos à praia?

Gente, tenho que dizer, depois de 3 dias super corridos aqui em Ottawa, entre: carregar malas do aeroporto para casa (2 ônibus e 1 trem); ir à prefeitura tirar o meu SIN (Social Insurance Number), espécie de CPF daqui; ver apartamento e fechar contrato de aluguel; abrir conta em banco e mais outros tantos “assuntos burocráticos”, eu bem que estava merecendo uma “folga”, concordam?

Foi quando Kamala, que me acompanhou em todas essas “peregrinação” (aliás, desde quando eu ainda estava no Brasil), me veio com esse convite: “Eu e o pessoal vamos fazer uma reunião na praia, você quer vir também?”

“Na praia???!!!”

Rapidamente mentalizei o ponto em que eu estava no Globo, só para ter certeza de que eu estava de fato a milhares de quilômetros da costa. Intrigada, mesmo sabendo que seria uma “reunião chata” de trabalho da AIESEC, a curiosidade falou mais alto e eu aceitei o convite.

“Ahhh… então essa é a ‘praia’. Assim sim.”

A “praia” a que Kamala se referia era, na verdade, um trecho da margem do Rio Ottawa, um dos maiores do Canadá, que se estende por toda a cidade e praticamente forma toda a fronteira entre as províncias de Ontário e Quebec.

De fato, havia ali, na “areia da praia”, dezenas de pessoas com a toalha estendida curtindo um banho de sol, jogando bola, freezbe (disco) e frescobol.

Enfim. Estavam lá achando o “máximo” (não é à toa que quando vêm ao Brasil eles se apaixonam).

É preciso dizer que eu cheguei no finalzinho do verão, que é tanto ou mais quente que o “nosso verão” em Recife. Nesse dia fez 32 graus. Fiquei lá sentada na toalha, de bermuda, camiseta do brasil e óculos escuros, curtindo aquele “solzinho” das 5 da tarde (aqui, nessa época, o sol não se põe antes das 8 ou 9 da noite).

Com um pouquinho de imaginação, olhando para as pequenas ondas quebrando na margem do rio, com aquele barulho de água e vento característico, deu até para me ver em uma “praia de verdade”. Só faltou mesmo aquele “vento salgado” e os sinos do vendedor que anuncia picolé, camarão, caldinho… 

Saudações verde-amarelas!

( Aeroporto de Toronto, 21 de agosto de 2008 )

 

Saudações verde-amarelas!

A partir de agora, vocês, queridos leitores, serão os meus co-pilotos nesse “rally gelado”. Sintam-se convidados a me acompanhar em cada nova trilha a que ousar me aventurar. À frente a previsão é de tempo bom, seguido de pancadas de chuva, algumas nevascas e eventuais tempestades de gelo. Mas não se assustem, o sol sempre voltará a brilhar.

Bem, mas o que realmente importa é que, “faça chuva ou faça sol” (ou neve ou gelo), estaremos sempre juntos e sei que posso contar com a ajuda de vocês, meus queridos co-pilotos, para me indicar possíveis direções quando eu estiver “perdida”, tentando decidir sobre que rumo tomar.

Sobre isso, deixo vocês com o pensamento de Robert Frost:

“Two roads diverged in a wood, and I… I took the one less traveled by, and that has made all the difference”.

“Duas estradas separavam-se em um bosque, e eu… Eu segui pela menos percorrida, e isso fez toda a diferença”.

 

Até a próxima!

Orgulho de ser brasileiro

verde e amarelaE não é que eu vim para o Canadá do jeito mais verde e amarelo possível? Em companhia de toda a equipe brasileira destinada às para-olimpíadas de Beijing em 2008 (por alguma estranha razão, para ir à Pequim é necessário uma parada em Toronto e outra em Vancouver antes). Enfim. Ficou a sensação de que essa equipe ainda trará muito orgulho para o Brasil.

 

Clique na imagem para ampliar.

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E… falando nisso… mal cheguei, ainda no avião, olho pela janela e o que vejo? Um avião da Air Canada fabricado pela EMBRAER!!! Senti aquele orgulho bobo de quem fica com os olhos marejados só de ver o Brasil fazendo bonito lá fora.

E aí você logo vê como uma viagem dessas o deixa mais sensível. Mal saí de casa e já estou com saudades…

Quase lá

Foto do monitor posicionado na poltrona da frente do avião com o mapa do trajeto.

Foto do monitor posicionado na poltrona da frente do avião com o mapa do trajeto.

Já estou quase lá!

PS: No avião tem monitor individual para cada passageiro com uma boa variedade de filmes e seriados, além de ser possível acompanhar o trajeto do avião com todos os dados do vôo (altitude, velocidade, tempo restante etc). Com tantas opções assim, terminou que não foi nem preciso ligar o meu laptop na tomada, também à disposição para cada passageiro juntamente com uma entrada USB.

Alguma vantagem tinha de ter já que é tão mais caro voar pela Air Canada, não é mesmo?

Encontros e despedidas

Aeroporto Internacional dos Guararapes (Recife-PE, Brasil)

“Você vai e volta chorando. Primeiro, pela saudade; depois, porque não quer mais voltar”.