O Circo do Sol

Cirque du SoleilE hoje, meus queridos co-pilotos, eu posso dizer que fui ao melhor circo de todos os tempos, o Cirque du Soleil.

E com estilo, diga-se de passagem, uma vez que assisti ao espetáculo “em casa”, ou melhor, do lugar onde o circo “nasceu”, o Canadá (mais precisamente o circo vem de Montreal, daí o nome em francês). E assim eu pude finalmente curtir de fato o que a cultura canadense tem de melhor a oferecer.

Eu, Thiago (Brasil) e Simone (Vancouver, Canadá)

Eu, Thiago (Brasil) e Simone (Vancouver, Canadá)

Palco do espetáculo (clique para ampliar)

Palco do espetáculo (clique para ampliar)

E, para melhorar o que já estava bom, como fomos no último dia do espetáculo, a hostess transferiu a gente (grupo de 8 pessoas) para uma seção bem pertinho do palco (a qual os lugares eram vendidos pela “bagatela” de 100 dólares). Isso que a gente já havia pago somente 30 dólares, metade do valor normal (contatos, meus amigos, contatos). Se ainda está achando caro, vale lembrar que a média do ingresso quando o circo esteve em SP era de 300 reais. Mas voltemos ao assunto.

CorteoCom o espetáculo Corteo (cortejo), o Circo do Sol vem nos mostrar porque carrega esse nome. Afinal, “Alegria” não é apenas o nome de uma de suas inúmeras exibições mundo afora, mas sim a natureza do próprio circo. Só mesmo um circo de tamanha capacidade artística e criativa para conseguir fazer de um cortejo fúnebre uma verdadeira festa, repleta de encanto e magia.

Mas afinal, o que esse circo tem de tão especial? Em relação ao apuro técnico, não há nada que “salte aos olhos”, que não possa ser visto em qualquer outro circo de qualidade, como o Circo Imperial da China. O que impressiona é a forma como ele consegue mexer com o lado lúdico e fazer algo simples se tornar incrivelmente belo.

Para começar, o espetáculo sempre gira em torno de uma história que, no caso, é a de um funeral. Logo na abertura, o “moribundo” se apresenta, explicando que em seu “momento final” ele se lembrou de sua vida e recordou a sua infância. E assim a apresentação segue, mostrando cenas de sua juventude e meninice, intercaladas pelo cortejo em si e até mesmo o momento em que os anjos vão “buscá-lo”.

Clique para ver o número da cama elástica

Clique para ver o número da cama elástica

Um exemplo de como esse circo consegue transformar um “número batido” em algo mágico: o ato das acrobacias em uma cama elástica (bouncing beds act) que, nessa cena (ao lado), teve o nome tomado ao pé da letra. E quem aqui nunca brincou de “pular na cama” e de “guerra de travesseiros” quando criança? (alguns brincam até hoje). É aí que está o segredo: por meio desses pequenos gestos, o circo consegue a identificação com o público, que se emociona.

E é buscando a emoção que todos os seus esforços se voltam para o lado artístico, teatral. Não seria um completo exagero pensar que o Cirque du Soleil é na verdade um teatro em que os artistas têm habilidades circenses. Os cenários, o figurino (século XIX), a música (cantada pelos próprios artistas ao vivo), a dança, tudo conspira para algo grandioso, quase que como se estivéssemos na realidade em uma ópera.

Enfim. Valeu a pena. Voltei para casa de alma lavada, não só pela chuva, que nos pegou desprevinidos, mas pela sensação de leveza, de ter assistido a um espetáculo ao mesmo tempo delicado e vibrante.

Finalizo o post com o vídeo de um dos números mais engraçados, com balões de hélio, em uma demonstração da interação entre artistas e platéia. Para nós, brasileiros, é difícil não lembrar um caso curioso do início do ano. Mas não se preocupem, dessa vez não precisou nem de celular nem de GPS, o próprio público ajudou a nossa personagem a voltar para “casa”.

(Ao longo do post eu deixei o link para vários trechos do espetáculo. Na seção de vídeos relacionados do YouTube você encontra ainda muitos outros. Não é o mesmo que ver ao vivo, mas já dá para “fazer de conta”).

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