Papai Noel

Em clima natalino, podemos dizer que a vida pode ser dividida em 3 etapas:

A época em que você acredita em Papai Noel

A fase em que você não acredita em Papai Noel

E, finalmente, o tempo em que você vira Papai Noel!

Um Feliz Natal para todos! (Seja qual for o período em que você se encontra)

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Para aprender, sentir e lembrar

Homem "desenterrando" o carro coberto de neve. Montreal, Segunda-feira, 22 de dezembro de 2008.

Homem "desenterrando" o carro coberto de neve. Montreal, Segunda-feira, 22 de dezembro de 2008.

Hoje eu posso dizer que senti calafrios, e não por conta dos 40 centímetros de neve na rua ou pela sensação térmica de 20 graus negativos. O arrepio que senti correr pela espinha foi um misto de medo, horror e consternação. Mas não hás de ficar preocupado, querido co-piloto. Afinal, é de se esperar que uma visita ao Museu do Holocausto cause esse tipo de impacto.

Acontece que Montreal abriga a 3ª maior população de judeus sobreviventes do holocausto no mundo, algo entre 5 a 8 mil.

(Para os curiosos, dei uma olhada por alto no Google e, logicamente, a maior população está em Israel. Os EUA vêm logo em seguida, Califórnia me parece. Não consegui dados concretos).

Museu do Holocausto, Montreal.

Museu do Holocausto, Montreal.

Logo na entrada, o objetivo do museu é destacado em Hebraico, Yiddish, Francês e Inglês: Para aprender, sentir e lembrar (Na foto é possível ver o letreiro luminoso em Inglês: To learn, to feel, to remember).

Durante a visita você faz uma viagem no tempo, desde uma apresentação sobre a tradição e cultura judaica, passando pela repressão aos judeus (não só na Alemanha como também no próprio Canadá e no resto do mundo), Tratado de Versalhes, crescimento do nazismo, início da guerra, campos de concentração/extermínio, tentativa de readaptação ao antigo lar e, finalmente, migração para o Canadá e outros países. Tudo isso pontuado com fotos, vídeos e jornais da época, além de artefatos, lembranças e em especial depoimentos dos sobreviventes.

 

Propaganda Nazista. Detalhe para o pôster que consegue simultaneamente denegrir a imagem do negro e o jazz (macaco com saxofone) e o judeu (estrela na lapela).

Propaganda Nazista. Detalhe para o pôster que consegue simultaneamente denegrir a imagem do negro e o jazz (macaco com saxofone) e o judeu (estrela na lapela).

E é nesse ponto que a visita deixa de ser uma “aula” e faz com que você realmente “vivencie” a história (o tal do “sentir” do mote do museu). Logo no primeiro “ambiente”, você assiste em um monitor (em que você seleciona legendas em inglês ou francês) ao testemunho de sobreviventes de diferentes países e classes sociais, de famílias mais ou menos ligadas à religião e à tradição judaica, bem como mais ou menos integradas aos “gentis” (como os que estudavam em escolas “mistas” e os que estudavam em escolas “para judeus”) falarem de como era o seu dia-a-dia (lembrando que a maioria dos sobreviventes era muito jovem na época. Eles eram os “filhos”).

À medida em que você “avança” pelos corredores, você passa também a reconhecer esses mesmos sobreviventes (e alguns novos) em outros monitores, e a acompanhar toda a sua trajetória (das casas para os guetos e desses para os campos), até as pequenas alegrias e tristezas do pós-guerra (os parentes reencontrados e perdidos, a difícil readaptação à VIDA, os pesadelos que os perseguem até hoje).

E é esse que eu considero o grande diferencial do Museu. Do mesmo modo que nos identificamos quando lemos “O Diário de Anne Frank” e “A mala de Hanna”, é inevitável nos sentirmos também mais próximos dos sobreviventes ao ouvi-los descrever o cotidiano no gueto e seu contraste entre a indiferença aos mortos na calçada (como mecanismo de defesa) e a celebração da vida, com sua efervecência cultural de peças e sinfônicas que alimentavam a alma dos que padeciam de fome e com os casamentos daqueles esperançosos de dias melhores.

 

Detalhe para o um dos jogos de tabuleiros mais comuns da época, "preferido" não apenas das crianças como também dos pais dedicados a passar mais tempo com os filhos. Desenvolvido por nazistas, o objetivo do jogo é expulsar os judeus da Alemanha.ra

Detalhe para o um dos jogos de tabuleiros mais comuns da época, "preferido" não apenas das crianças como também dos pais dedicados a passar mais tempo com os filhos. Desenvolvido por nazistas, o objetivo do jogo é expulsar os judeus da Alemanha.ra

O Museu também foi muito bem planejado, até mesmo em sua ambientação. Os bancos, por exemplo, vão “evoluindo” de alcochoados a madeira e, por fim, concreto, à medida em que “passamos” por casas, guetos e campos de extermínio.

 

O Museu traz ainda “bons” exemplos dos artifícios de que os nazistas se utilizaram para nutrir o ódio aos judeus e a outros grupos minoritários perante a população (comunistas, ciganos, homossexuais, negros). Para mim. particularmente, esse é um dos fatos mais imcompreensíveis e assustadores: como toda uma nação pôde ser convencida a odiar tão cegamente um povo? E é de “tirar o sono” a idéia de que isso possa se repetir, em qualquer parte do mundo, contra qualquer outra minoria (se é que, guardadas as devidas proporções, já não está se repetindo). Por isso é importante “lembrarmos”, para não permitirmos que isso volte a acontecer.

Enfim. Sei que em meu blog não costumo me enveredar por essas “trilhas”, mas co-piloto é assim mesmo, acompanha cada passo da “aventura”. Encerro então com a última frase (divertidíssima) pronunciada nos depoimentos (só lembrando que esse comentário veio de uma senhora que sobreviveu à fome e a toda uma sorte de infortúnios em um campo de concentração):

“E eu consegui me adaptar ao inverno do Canadá”. 

 

Vida de estagiário 2 x 0 Vendedor

Toc toc.

“Olá senhorita, vimos que você já utiliza o serviço de Internet com a Rogers e estamos aqui para oferecer um pacote promocional para outros serviços. Qual seria o seu provedor atual para telefone fixo?”

“Ah, eu não tenho telefone fixo”.

“Hã? Não tem? Bem, então essa é a oportunidade de você ter um. Se me permite perguntar, a sua conta de celular não fica um pouco alta por conta disso, algo entre 60 e 70 dólares?”

“Não, é bem menos que isso”.

“Mesmo? Hum… bom, mas ainda assim, com o telefone fixo você poderia comprar pacotes para ligações de longa distância, como para o Brasil, por exemplo” (perspicaz, mas a camiseta que eu estava usando foi quem deu a “dica”)

“Cara, sabe o que é? É por isso que eu tenho Internet, justamente para poder manter o contato sem precisar ligar…”

(Não se dando por vencido…)

“Ah… pois é, tudo bem. E que tal então assinar a TV a cabo?”

“Puxa, até que eu queria, mas é que eu não tenho TV…”

“Obrigado então. A Rogers agradece a preferência.”

Até tu, Canadá?

E eis que hoje, depois de me empacotar toda para mais um dia nesse “admirável mundo novo” e seguir por uma trilha coberta de neve já quase no joelho até a parada de ônibus, o que eu descubro?

 

Os ônibus estão em greve!!!

 

“Hã? Como assim? No Canadá também tem greve? O mundo tá perdido mesmo!”

Pois é. Que na França vive tendo greve já não é novidade, mas no Canadá? E olha que eu nem estou na parte francesa…

Também é preciso deixar essa “revolta” a que fui acometida um pouco de lado para esclarecer que greves não são algo comum por aqui. Pelo que me disseram, a última foi há 12 anos, em 1996. Detalhe: Essa durou um mês.

O que é mesmo revoltante é que aqui, em Ottawa, os motoristas de ônibus, apesar de viverem sob o stress característico da profissão, são muito bem pagos e, só para completar, são funcionários públicos, com direito a todos os benefícios e regalias que vêm com o “pacote”.

Foi pedido um aumento de 10% no salário e a contraproposta foi de 7%, o que não é nada mal em tempos de crise. Além disso, foi oferecido um “bônus” de 2.000 dólares canadenses.

E eles ainda têm a audácia de dizer que a greve “não é por dinheiro”.  O que não deixa de ser uma forma de tornar ainda mais nítido que tudo o que eles querem é “mamata”. Por exemplo, eles já se dão ao luxo de ter direito a um número de “sick days” anual (licença por motivo de doença) a que estão isentos de apresentar atestado. Ou seja, eles podem simplesmente ligar dizendo que estão doentes e pronto, nada mais é questionado. E o que eles querem? O “direito” a mais dias de falta sem “atestado médico”, é mole?

A impressão que dá é a de que eles escolheram justamente esse período – com o perdão da palavra – de sacanagem mesmo. Poxa, época de fim de ano, em que todo mundo vai às compras, todos os estudantes estão em exames finais, todo mundo atolado no trabalho por conta do fechamento de ano e, só para um “toque final” com “requintes de crueldade”, quando a sensação térmica está chegando aos 29 graus negativos!!!

Olhe, sei não, viu?

Só digo uma coisa: ainda bem que a minha empresa permite que os funcionários trabalhem de casa todos os dias

Um adeus bem verde e amarelo

Olha, depois de 3 meses morando aqui, eu posso dizer que já tinha até passado por situações que me fizeram lembrar do Brasil ou mesmo pensar que é possível sim trazer um pouco do Brasil para o Canadá, mas nada como a festa de ontem… Ontem eu senti que estava de verdade no Brasil!

Para começar, ao chegarmos à casa (que pela distância já fez a gente pensar que estava mesmo viajando), logo de cara nos demos com o quê? Uma platéia vidrada n’A Favorita! (Sobre isso, só um comentário: até cachorro tão matando nessa novela??!!)

As noveleiras

As noveleiras

Adentrando um pouco mais pela casa, via-se um grupo comendo aquele bom prato de feijão com arroz e, para minha surpresa, macaxeira (isso mesmo!). E, como não podia faltar, tinha também aquele pessoal bebendo uma cervejinha e curtindo um bom samba.

Tratava-se da festa de despedida de uma amiga nossa, a Marina, que está voltando para o Brasil.

Adamira (Nicarágua), Diane (Canadá) e Marina (Brasil)

Adamira (Nicarágua), Diane (Canadá) e Marina (Brasil)

Para completar o “cardápio”, nós (Adamira, Diane, Thiago e eu) trouxemos brigadeiros e beijinhos. E olha que, não é querendo assim me gabar muito não, mas meu brigadeiro faz sucesso até entre os brasileiros (porque “impressionar” os canadenses é fácil, uma vez que eles não conhecem nenhum docinho brasileiro).

Fanny, Adamira, Diane e eu

Fanny, Adamira, Diane e eu

Agora, o mais incrível mesmo foi o churrasco. “Quê? Churrasco na ‘terra do hambúrguer’ e nesse frio?”

Pois não é que colocaram uma churrasqueira lá fora no meio da neve? (dessas que tem tampa, claro)

E era um churrasco de verdade! Claro que eu não podia deixar de registrar, ainda mais para os céticos que não acreditam que isso seja possível.

Hum... que delicia

Hum... que delícia

Picanha com farofa, é mole?

Picanha com farofa, é mole?

Lógico que quis logo saber o segredo dessa façanha e, pasmem: vem tudo pelo correio!!! (na verdade quanto à picanha eu não posso afirmar, mas a “Farofa pronta” Yoki essa eu garanto que veio direto do Brasil)

Ainda consegui umas dicas de churrascarias brasileiras em Montreal (onde eu vou passar o próximo final de semana e o Natal) e também me garantiram que lá eu encontro leite moça.

E, para fechar a noite com chave de ouro, um show “particular” de Rômmel Ribeiro. Ele é uma das grandes atrações brasileiras na “cena cultural” de Ottawa/Montreal. No repertório, Música Popular Brasileira. Vale a pena conferir.

Rômmel (Maranhão), Paulinho (Pernambuco) e... guitarrista da banda =P

Rômmel (Maranhão), Paulinho (Pernambuco) e... guitarrista da banda =P

Enfim. Passei o dia hoje com um sorriso de uma orelha à outra só me lembrando da festa com toda aquela animação e do meu Brasil querido =)

Mais fotos no meu Facebook.

 

Festa em Barhaven, Ottawa/ON, Canadá, em 6 de dezembro de 2008.