Blog Update

Saudações verde-amarelas!

Como eu tenho mania de publicar posts “atrasados”, com datas lá pra trás, fica meio complicado acompanhar o que tem de “novo” no blog.

Bem, para remediar um pouco a situação, vou manter aqui a lista de posts mais “recentes” (recém-publicados, mas não necessariamente no mês em vigor).

Enfim. Segue a lista desse “mês” (do mais “novo” para o mais “antigo):

Tatuagem New!

Telemarketing automatizado? New!

Helpdesk – Parte I

E viva a independência!

Só por curiosidade…

Vida de estagiário 2 x 0 Vendedor

Frio

E essa dor no peito?

O circo do sol

Vai ser diferente (It will be different)

Free Hugs (Abraços gratuitos)

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Tatuagem

Sou brasileira, com muito orgulho.

Sou brasileira, com muito orgulho.

Sempre que considerava a possibilidade de fazer uma tatuagem, desistia da ideia (ô reforma incoveniente) logo de cara, só pela dúvida de que imagem utilizar.

Indecisa como sou, imaginava que, depois de passar séculos para escolher uma, assim que eu a visse tomar forma, já me sentiria arrependida: “ah… não ficou como eu queria, bem que eu sabia que aquela outra era melhor!”

Ora, mas isso foi antes. É que eu descobri que na verdade o caminho é inverso. Você não deve pensar em fazer uma tatuagem e então decidir qual será.

A experiência deve vir antes, como algo tão forte e marcante em sua vida que você quer deixar registrado, não quer se permitir esquecer, pois isso define a sua própria essência. Então, e só então, você procura um símbolo que, para você, represente tudo isso. A tatuagem vem por último, ela vem da necessidade de gritar ao mundo e a você mesmo: “esse/a sou eu”.

Não importa se daqui a alguns anos você mudar (e acredite, você irá) e, ao ver a tatuagem, pense algo como: “onde é que eu estava com a cabeça?”. O que importa é que um dos seus vários “eus” está ali e você nunca irá esquecer que isso fez parte de sua vida e sempre fará parte do que você é.

 

Enfim. Gostaram da tatuagem? Querem saber mais sobre essa aventura?

Então, “aguardem e confiem”, que no final de semana tem mais…

Telemarketing automatizado?

Telemarketing AutomáticoGente, é mesmo inacreditável!!!

A que ponto chegamos?

Acabo de receber a seguinte ligação:

“A mensagem a seguir foi gravada pela Northern Reflections…

…Não deixe de aproveitar a promoção de 20% de desconto adicionais na compra de […]”

Sério mesmo, se é que é possível, conseguiram deixar o que já era incoveniente mais insuportável ainda. Posso até soar ingênua, mas, para mim, colocar uma gravação “do outro lado da linha” para lhe convencer a comprar um produto é algo que até o mais ambicioso dos “capitalistas selvagens” classificaria como “passar dos limites”.

Enfim. O que custou a passar foi a raiva que me deu, mas tudo bem. Agora, que já estou mais calma,  analisando “friamente” a situação, cheguei às seguintes conclusões:

1. Que idéia genial!

“Hein? Como assim?”

Pois é, se você olhar pelo “lado bom”, agora a gente não precisa mais fingir ser educado e ficar constrangido de desligar o telefone “na cara” do vendedor. É só uma gravação mesmo…

2. Se não tivesse escutado a primeira frase, que informava se tratar de uma gravação, provavelmente eu levaria algum tempo para perceber.

Só não sei dizer se porque a gravação foi feita “com todo o carinho” ou se o fato é que já estamos acostumados a “atendentes de telemarketing” cada vez mais robotizados…

Fim dos "atendentes de telemarketing"?Será esse então o fim dos “atendentes de telemarketing”?

Sei que é exagero e isso está longe de acontecer, mas só essa possibilidade já me fez imaginar uma legião de “ex-consultores de call center” tentando se ajustar a um mundo “imprevisível”, onde não há um “script” a ser seguido. Eu me pergunto: O que um atendente de telemarketing teria a dizer ao mundo ao se ver “libertado”, senhor absoluto de suas próprias falas?

Frio

Manhã de quarta-feira, 14 de janeiro de 2009.

Note o alerta em vermelho com símbolo de raio (não precisa entender o que diz, só de ver já dá para saber que "não pode ser coisa boa"). A temperatura é de -26ºC, mas o "feels like" (sensação térmica) é de -37. Logo abaixo temos a velocidade do vento e os horários do nascer e por-do-sol. Pelo horário é fácil constatar que vamos e voltamos do trabalho com o céu escuro.

Bom dia, meus queridos co-pilotos!

Hoje o dia amanheceu gelado aqui em Ottawa. Durante a noite a ventania chegou a perto de 50 km/h e a temperatura caiu em média 4ºC por hora. Em outras palavras, enquanto que às 6 da noite estava aproximadamente 0ºC, lá pelas 3 da madrugada a temperatura chegou a perto de -36ºC, com sensação térmica entre 45 e 50 graus negativos!!!

E eu ainda ouvi dizer que, quando vem a “massa de ar frio” lá do pólo norte (onde no momento temos 24 horas de noite, ou seja, o sol nunca nasce), a temperatura pode cair VINTE GRAUS em UMA ou DUAS HORAS!!!

Deixa eu tentar dar uma idéia do quanto isso é frio.

Hoje, quando eu saí de casa, a sensação térmica estava de -40 graus.

“E você sentiu frio?”

Por mais que impressione, na verdade não.

Agora vamos às explicações:

1. Eu estava usando uma camisa térmica + suéter + casaco tipo moleton suuuper quentinho + casaco de inverno com thinsulate (isolante térmico), isso fora a calça térmica por baixo da calça jeans e a bota de neve desenvolvida para esse tipo de temperatura.

2. E não é só isso! Eu estava ainda com um gorro + espécie de headphone para proteger as orelhas + capuz do moleton + capuz do casaco de inverno + 2 cachecóis (um para o pescoço e outro para cobrir o nariz)

Gente, ficou bizarro para dizer o mínimo (talvez, eu disse talvez, depois eu tire uma foto para postar aqui), mas pelo menos eu não senti um pingo de frio. Em compensação, não consegui ver quase nada, já que fiquei só com os olhos de fora (feito máscara de ninja).

E como é que isso explica o quanto -40 graus é frio?

muito frioQuando eu entrei no carro, os meus cílios estavam congelados (com pedrinhas de gelo), sendo que nem estava nevando!!! (abaixo de -15 graus é muito frio até mesmo para a neve cair) Lembrando que apenas os meus olhos estavam descobertos. Imagina então como minhas mãos, nariz ou qualquer outra parte estaria se estivesse também descoberta? Ainda assim, a sensação do frio nos olhos e parte da testa foi a mesma de quando colocamos gelo ao levarmos uma pancada, sendo que “seco”, porque ele não derrete nunca!

Enfim. Só sei que tudo isso serviu para eu ficar ainda mais feliz com a minha casinha (apartamento na verdade). O mundo “se acabando” na madrugada e eu em casa bem quentinha, só ouvindo o barulho da ventania que insistia em passar pelas janelas fechadas (duplas) do apartamento.

Vai ser diferente (It will be different)

No “espírito de Ano Novo”, publico aqui um poema de Carlos Drummond de Andrade, já bem conhecido. Tomei a liberdade de fazer uma tradução simplória livre do texto para o inglês e então o repassei para colegas de trabalho e amigos aqui do Canadá. Nem precisa dizer que eles adoraram, né? É isso aí, temos mais é de “exportar” a nossa cultura, em vez de só reclamar que eles acham que o Brasil é só “Carnaval e futebol”.

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante
vai ser diferente.”

(Carlos Drummond de Andrade, poeta, contista e cronista brasileiro, 1902 – 1987)

Um Feliz Ano Novo para todos!

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Time

“Whoever had the idea to cut the time in slices,
to what has been given the name of “year”,
was a remarkable genius.
For this has industrialized hope,
making it work up to an exhaustion edge. 

Twelve months are enough to make any human being tired out to the point of
throwing in the towel.
But then comes the miracle of renovation,
and everything starts yet once again, with another number
and another will to believe
that from now on
it will be different.”

(Carlos Drummond de Andrade, Brazilian poet, writer and columnist, 1902 – 1987)

A Happy New Year to all!

Free Hugs (Abraços gratuitos)

 Uma pergunta recorrente é: “de que você mais sente falta?”.

Acho que depende da fase em que você está. Além do óbvio “família e amigos”, houve um tempo em que eu daria tudo por um simples “pão francês”.

Com o tempo, você se acostuma. E aquele velho aperto no peito, embora cada vez maior, passa a fazer parte do que você é. Se “a saudade é um sentimento que parece não ter mais fim”, é também algo com o que você aprende a conviver. Em outras palavras, você segue em frente.

Só que, às vezes, no “meio do caminho”, ainda me pego sentindo que “algo” falta, mas não sei bem o quê. Admiro a paisagem, a cidade impecavelmente limpa e o povo que, de tão educado e “certinho”, chega a causar certo incômodo (não sei, simplesmente não me parece natural). O que estará faltando?

Nessa cidade sem outdoors ou buzinas, sinto falta do “burburinho”, das pessoas conversando animadas em voz alta, do barulho das ondas quebrando na areia da praia, do cheiro de água salgada que vem junto com aquela brisa que consegue ser ao mesmo tempo refrescante e acolhedora.

Agora, “vazio” de verdade você sente mesmo pela falta de contato, de calor humano. Engraçado como a gente sempre ouve isso das pessoas que viajam e achamos que é exagero. Não é que as pessoas aqui sejam frias ou hostis. Pelo contrário, o canadense é bastante receptivo e compreensivo, já faz parte de seu cotidiano receber estrangeiros e ele não se importa com as diferenças nem liga para a sua pronúncia ou erros ao tentar falar o idioma. O problema é que, com tanta civilidade, o canadense aprende desde cedo a manter uma distância respeitosa do próximo. Moral da história: aqui ninguém se abraça.

Acho que vou voltar do Canadá com trauma de aperto de mão. Esse é o maior contato que você consegue ter, até porque o normal é você dizer “oi” com aquele aceno um tanto quanto “awkward” (constrangedor), desses de quando você é bem tímido.

Não é que eu queira sair por aí abraçando todo mundo e, é claro que, por motivo de força maior dramática, estou exagerando um pouco. É que aqui me parece que você precisa de motivo para abraçar a pessoa. Por exemplo, hoje foi aniversário de uma colega de trabalho e, naturalmente, todo mundo a abraçou, mas seria no mínimo estranho abraçar alguém sem um motivo especial.

Também isso tem muito a ver com intimidade. Estou certa de que, em suas casas, os canadenses são bastante carinhosos com seus cônjuges e filhos, e provavelmente também o são com amigos mais próximos. Eles só não se sentem confortáveis em serem tão… digamos… expansivos quanto nós quando se trata de alguém fora desse “núcleo”.

Acontece que, separados que estamos, pela distância, dos nossos entes queridos, só nos resta a opção de abraçar quem quer que esteja “aberto” a isso. Daí o nosso “talento” para conseguirmos encontrar tantos brasileiros e latinos em meio a essa verdadeira Babel.

Isso me lembra uma campanha que vi no Youtube (vulgo filho do “Oráculo”, o Google), chamada “Free Hugs” (abraços gratuitos em tradução livre). Pelo vídeo dá para ver como o mundo anda mesmo carente de abraços…

Enfim. Em tempos de crise e novas roupagens para mais uma velha-guerra-que-ninguém-entende, deixo aqui o vídeo como uma mensagem de afeto entre os povos:

Um abraço bem apertado desses que todo mundo se permite dar e receber (até mesmo com lágrimas disfarçadas)  em portões de embarque e desembarque de aeroportos.

Cin