Free Hugs (Abraços gratuitos)

 Uma pergunta recorrente é: “de que você mais sente falta?”.

Acho que depende da fase em que você está. Além do óbvio “família e amigos”, houve um tempo em que eu daria tudo por um simples “pão francês”.

Com o tempo, você se acostuma. E aquele velho aperto no peito, embora cada vez maior, passa a fazer parte do que você é. Se “a saudade é um sentimento que parece não ter mais fim”, é também algo com o que você aprende a conviver. Em outras palavras, você segue em frente.

Só que, às vezes, no “meio do caminho”, ainda me pego sentindo que “algo” falta, mas não sei bem o quê. Admiro a paisagem, a cidade impecavelmente limpa e o povo que, de tão educado e “certinho”, chega a causar certo incômodo (não sei, simplesmente não me parece natural). O que estará faltando?

Nessa cidade sem outdoors ou buzinas, sinto falta do “burburinho”, das pessoas conversando animadas em voz alta, do barulho das ondas quebrando na areia da praia, do cheiro de água salgada que vem junto com aquela brisa que consegue ser ao mesmo tempo refrescante e acolhedora.

Agora, “vazio” de verdade você sente mesmo pela falta de contato, de calor humano. Engraçado como a gente sempre ouve isso das pessoas que viajam e achamos que é exagero. Não é que as pessoas aqui sejam frias ou hostis. Pelo contrário, o canadense é bastante receptivo e compreensivo, já faz parte de seu cotidiano receber estrangeiros e ele não se importa com as diferenças nem liga para a sua pronúncia ou erros ao tentar falar o idioma. O problema é que, com tanta civilidade, o canadense aprende desde cedo a manter uma distância respeitosa do próximo. Moral da história: aqui ninguém se abraça.

Acho que vou voltar do Canadá com trauma de aperto de mão. Esse é o maior contato que você consegue ter, até porque o normal é você dizer “oi” com aquele aceno um tanto quanto “awkward” (constrangedor), desses de quando você é bem tímido.

Não é que eu queira sair por aí abraçando todo mundo e, é claro que, por motivo de força maior dramática, estou exagerando um pouco. É que aqui me parece que você precisa de motivo para abraçar a pessoa. Por exemplo, hoje foi aniversário de uma colega de trabalho e, naturalmente, todo mundo a abraçou, mas seria no mínimo estranho abraçar alguém sem um motivo especial.

Também isso tem muito a ver com intimidade. Estou certa de que, em suas casas, os canadenses são bastante carinhosos com seus cônjuges e filhos, e provavelmente também o são com amigos mais próximos. Eles só não se sentem confortáveis em serem tão… digamos… expansivos quanto nós quando se trata de alguém fora desse “núcleo”.

Acontece que, separados que estamos, pela distância, dos nossos entes queridos, só nos resta a opção de abraçar quem quer que esteja “aberto” a isso. Daí o nosso “talento” para conseguirmos encontrar tantos brasileiros e latinos em meio a essa verdadeira Babel.

Isso me lembra uma campanha que vi no Youtube (vulgo filho do “Oráculo”, o Google), chamada “Free Hugs” (abraços gratuitos em tradução livre). Pelo vídeo dá para ver como o mundo anda mesmo carente de abraços…

Enfim. Em tempos de crise e novas roupagens para mais uma velha-guerra-que-ninguém-entende, deixo aqui o vídeo como uma mensagem de afeto entre os povos:

Um abraço bem apertado desses que todo mundo se permite dar e receber (até mesmo com lágrimas disfarçadas)  em portões de embarque e desembarque de aeroportos.

Cin

Anúncios

Uma resposta

  1. Eu ia sentir muita falta mesmo de dar e receber abraços…
    Vi em uma pesquisa que o ser humano precisa de oito toques diários para viver bem, seis para sobreviver. Eu preciso de uns dez, mesmo sendo os mais modestos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: