Father’s Day e o verão

Foto: Escultura da artista Susan Lordi, da marca Willow Tree.

Foto: Escultura da artista Susan Lordi, da marca Willow Tree.

E não é que no Canadá o Dia dos Pais (Father’s Day) é celebrado no terceiro domingo de junho? E não só por aqui, como também em mais de 50 países, entre eles: EUA, Inglaterra, França, Índia e Japão. Já na Itália, Espanha e Portugal, a data é celebrada em todo 19 de março, dia de São José.

Junto com o Brasil, apenas a pequena Samoa, localizada ao sul do Pacífico, na Polinésia, comemora o Dia dos Pais no segundo domingo de agosto, mesma data em que a Argentina comemora o Dia das Crianças (Día del Niño). Como no Brasil o feriado só existe há pouco mais de 50 anos (criado por um publicitário), provavelmente a escolha da data se deu ao fato de em março já termos Carnaval/Semana Santa e em junho o São João. Sobrou o mês de agosto, que não tem celebração nenhuma (lembra como no colégio, quando você é pequeno, cada mês é “mês de alguma coisa”, e já que em agosto não tem nada eles dizem que é o “mês do folclore”?!!).

Enfim. Hoje foi também o dia mais longo do ano, o solstício, com direito a apresentações de música e dança no Festival de Artes Aborígines, tanto em celebração a chegada do verão quanto em homenagem ao Dia Nacional dos Aborígines, o “Dia do Índio” canadense (logicamente não se pode comparar, quis apenas fazer um paralelo entre ambos).

Já eu não participei nem de uma festividade nem de outra. A comemoração foi em casa mesmo, onde eu assisti à vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Itália na Copa das Confederações, pela Internet.

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Festival de Tulipas – Parte I

Tulip Festival, 15 de maio de 2009.

Tulip Festival, 15 de maio de 2009.

O evento por que Ottawa é mais conhecida é o Tulip Festival, considerado o maior Festival de Tulipas do mundo. Ele ocorre anualmente desde 1953 e atrai uma média de meio milhão de turistas a cada ano.

O festival acontece todo mês de maio (pois é, o post está um pouquinho atrasado), que é o mês da primavera aqui no Canadá (em abril ainda é inverno). Nesse ano o festival ocorreu de 1 a 18 de maio, com o seu encerramento no Victoria Day, feriado nacional canadense em homenagem à rainha Vitória (séc. XIX). Lembrando que o Canadá, assim como a Austrália e a Jamaica, são países atualmente reinados pela rainha Elizabeth II da Inglaterra.

As tulipas

As tulipas

Enfim. A principal mudança dessa edição foi a descentralização: o festival foi espalhado por diversas partes da cidade, cada uma com um tipo de atração diferente. Na região do lago Dow’s Lake, era possível ver a maior concentração de tulipas, enquanto que o Pavilhão Internacional foi montado no Glebe, com stands e performances de vários países. Já o Major Hill, parque do centro da cidade, contou com uma escola de circo.

Tapioca preparada pelo stand brasileiro no Festival das Tulipas.

Tapioca preparada pelo stand brasileiro no Festival das Tulipas.

No stand brasileiro tinha guaraná, pão de queijo, feijoada e até tapioca. O Brasil ainda foi muito bem representado por apresentações de dança e shows de samba e mpb, dos quais postarei alguns vídeos em breve.

Quanto às tulipas, essas personificaram a marca registrada do Canadá: a diversidade.  As suas cores e formas variadas deram vida e encanto a um festival que por si só já é repleto de magia, com os seus parques, rodas gigantes, carrosséis e muito mais.

Deixo vocês com algumas imagens desse belo festival.

 

Clique na imagem para ver as fotos.

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Guia dos Aventureiros: Mantendo Contato

Exemplos de serviços de mensagens instantâneas (leitura e voz) e redes sociais. Na montagem: twitter, google talk, msn, gmail, skype, facebook e orkut.

Exemplos de serviços de mensagens instantâneas (leitura e voz) e redes sociais. Na montagem: twitter, google talk, msn, gmail, skype, facebook e orkut.

Não é nenhuma novidade: o mais difícil em qualquer viagem longa é enfrentar a distância da família e amigos.

Felizmente, a era digital tem o poder de aproximar pessoas. O objetivo desse post é dar dicas de tecnologias que podem ser utilizadas para esse fim.

Como os meios mostrados na imagem acima já são bastante divulgados e amplamente conhecidos, eu vou focar em um método de comunicação menos difundido, o VoIP (Voz sobre IP).

Okay, okay. O skype também oferece o serviço, mas, além de mais caro, na minha opinião é de menor qualidade.

Sobre o VoIP

Para quem não conhece a tecnologia, imagine poder fazer ligações gratuitas para praticamente qualquer ponto do globo. Esclareço desde já que não é completamente de graça, mas é quase. Vamos aos detalhes.

Nesses serviços, você paga uma taxa via cartão de crédito e ganha o direito de fazer ligações ilimitadas por um determinado período (60, 90 ou 120 dias). Depois que esse prazo termina, as ligações passam a ser cobradas com taxas simbólicas (1 ou 2 centavos por minuto), descontadas do seu total de “créditos” (aquela taxa que você pagou no início). Quando também esses créditos acabam, é só “recarregar” que o ciclo se reinicia (período grátis, seguido de desconto no saldo).

Como essas ligações são feitas?

Você liga a partir do seu computador (usando o microfone) e a pessoa atende do outro lado da linha pelo telefone, como em uma ligação normal. Embora nem sempre a ligação seja perfeita (pode haver eco, som atrasado, ruído etc), vale muito a pena. Uma dica é comprar um headset (daqueles utilizados em call-center), que pode ser encontrado nas lojas por um preço bastante em conta (a partir de 15 reais).

Caso você prefira ligar diretamente do seu telefone, esses softwares oferecem ainda a opção Phone2Phone, que, em contrapartida, cobra uma taxa por ligação. Além disso, é possível que o seu provedor de telefone cobre por essas chamadas, ainda que como se fossem ligações locais.

Escolhendo o serviço

Clique na imagem para acessar o 12VoIP.

Clique na imagem para acessar.

São várias as opções de serviços. Como escolher então? Tudo depende de onde você se encontra, pois cada empresa oferece um pacote diferenciado, limitado a determinados grupos de países espalhados pelo globo. De um modo geral, se você estiver em um país “desenvolvido”, como EUA/Canadá, a sua família poderá ligar de graça tanto para o telefone da sua casa/escola/trabalho, quanto para o seu celular. Já para ligações feitas ao Brasil serem gratuitas, só se for para um telefone fixo.

Um outro detalhe é que, como esses serviços são internacionais, normalmente a moeda de pagamento é o Euro. Como o valor da taxa cobrada pelo serviço gira em torno de 10 euros, no final equivale a você ter pago algo entre 25 e 30 reais.

Em relação às “ligações ilimitadas”, vale uma ressalva: se você for como eu e fala pelos cotovelos, há um momento em que o sistema acusa que você “ultrapassou a política de uso justo” e começa a cobrar pelas ligações. Caso isso aconteça, basta você passar um ou dois dias sem utilizar o serviço que as ligações voltam a ser gratuitas pelo tempo restante (há um contador que informa quantos dias faltam).

Passo a passo

Clique na imagem para acessar o JustVoip.

Clique na imagem para acessar.

1. Escolha o seu serviço VoIP. Particularmente eu gosto do 12VoIP, que oferece 90 dias de ligações grátis, e do JustVoIP (120 dias).

2. Faça o download do software e instale-o na sua máquina. Aconselho a escolher o idioma inglês (o português é de Portugal).

3. Cadastre-se e pague a taxa de 10 euros com o seu cartão de crédito.

4. Ligue à vontade (mas com moderação!)

12VoIP

Para finalizar, é importante ressaltar que, de nada vai adiantar o uso de tantas tecnologias se você não tiver a força de vontade necessária para manter contato com as pessoas que ama. Por tudo que você está vivendo em um “país estranho”, conseguir essa façanha pode ser bem difícil e, não importa o quanto você se esforce, sempre haverá alguém reclamando que você “está sumido”.

O jeito é seguir sempre tentando e dando o seu melhor. Um e-mail coletivo de vez em quando ajuda um bocado. Manter um blog então…

É isso. Espero que tenham gostado. Não deixem de mandar sugestões!

Um lápis

Foto: Getty images
Foto: Getty images

Outro dia estava conversando com minha mãe pelo Skype. Como é comum entre a gente, ao mesmo tempo em que nos falávamos eu estava distraída vendo alguma coisa no meu computador e ela estava trabalhando no dela, fazendo relatórios.

A gente gosta de conversar desse jeito porque assim parece até que eu estou com ela, lá em casa, no escritório, onde costumávamos fazer a mesma coisa: conversar enquanto cada uma se ocupava com suas atividades.

Melhor que isso só conversar com Mainha pelo telefone enquanto lavo pratos, mas essa já é uma outra história.

Voltando…

Em dado momento, eis que minha mãe pergunta, em tom de brincadeira:

“Filha, você por acaso viu o meu lápis?”

Para continuar a brincadeira, eu respondo:

“Ah, mãe! A senhora colocou o lápis bem aí no lado direito do notebook”, ao que minha mãe dá uma gargalhada, já que sabe que eu não posso ter visto onde ela o colocou.

Qual não é a sua surpresa quando encontra o lápis exatamente onde eu disse que estava.

“E não é que estava aqui mesmo? Como você soube? Viu pela webcam?”

Por essa eu também não esperava. Acho que a gente se conhece tão bem que até adivinha essas coisas.

Cada vez mais percebo que não importa a distância física, pois sei que no fundo sempre estaremos próximas, uma cuidando da outra.

De 10 de fevereiro.

Guia dos Aventureiros: Agenda Cultural

Ilustração: Getty Images

Ilustração: Getty Images

Esteja onde você estiver, é sempre importante “estar por dentro” do que acontece na vida cultural dessa localidade: são shows, festivais e exibições em museus, entre tantas outras atrações, como Garage Sales.

Além da tradicional pesquisa no Google, se você for permanecer no mesmo local por um tempo mais longo, melhor ainda é se inscrever em newsletters estilo “Agenda Cultural”, como a do Ottawa Kiosk. Ottawa dispõe ainda de um site só com a Agenda de Festivais.

Já para viagens curtas, folhetos e encartes de museus e outras atrações distribuídos em centros de informação turística são ideais: além de fornecer a informação que você precisa, são ótimo material para futuros scrapbooks.

Uma boa dica é se inscrever nos e-mails de grupo das Comunidades Brasileiras (que provavelmente irão existir se você estiver em um local com mais de 1 milhão de habitantes). Em Ottawa, temos dois grupos: o Bino (ícone no menu direito do blog) e o Grupo Fale.

Esses grupos são bastante úteis, pois, além de sempre informarem sobre eventos brasileiros, como festivais latinos de cinema, eles também estão sempre organizando festas verde-e-amarelas para matar um pouco a saudade do Brasil. Oferecem, ainda, informações gerais, como anúncios (apartamentos para alugar, móveis para vender, serviços de tradução juramentada etc) .

Por fim, você pode ainda se cadastrar na Embaixada ou Consulado brasileiro da cidade, caso exista. Muitas vezes eles promovem festas e coquetéis em ocasiões especiais, como o Dia da Independência. A Embaixada Brasileira em Ottawa costuma ainda detacar eventos verde-e-amarelos em seu site. Mais que isso, a real importância desse cadastro está na Embaixada/Consulado ter os seus dados em caso de emergência. Sem querer ser dramática, imagine uma situação crítica (blecaute geral na cidade, atentado terrorista, terremoto, acidente aéreo etc), em que por algum motivo a sua família não consegue entrar em contato com você. É aí que entra em cena a ação da embaixada, para ajudar a localizá-lo.

Bem, agenda pronta, agora é só partir para novas experiências e descobertas.

Tenha uma boa aventura!

E aí? O que acharam das dicas? Alguma sugestão de outros métodos para saber sobre tudo que acontece na cidade “estrangeira” em que você se encontra?

Biscoitos de escoteiro

Biscoitos de escoteiras

Biscoitos de escoteiras

Mais uma cena de filme: Meninas escoteiras vendendo biscoitos de porta em porta.

Tudo bem que não foi bem assim que eu terminei comprando os tais biscoitos. Uma colega de trabalho foi quem vendeu as caixas para ajudar a Girls Guide (escoteiras do Canadá) a arrecadar fundos. Consegui a última! Elas acabaram rápido porque o comentário geral era de que “esse é gostoso!”, em uma clara referência ao fato de normalmente esse biscoito ser meio ruinzinho e a pessoas só o comprarem “para ajudar” mesmo.

Enfim. Ser escoteira é só mais um aspecto da infância-americana-de-filmes que eu não tive, junto com uma casa na árvore (tree house) e escaninho no colégio (locker).

O escotismo (do inglês Scouting)  é um movimento voluntário e sem fins lucrativos criado no início do século XX pelo militar inglês Robert Baden-Powell. Nele, o jovem aprende a trabalhar em equipe, bem como práticas de “vida ao ar livre”, como acampar, acender fogueira, usar bússola etc. O movimento feminino, Girl Guides, no Brasil chamado de Bandeirantismo ou Guidismo, foi fundado pela irmã de Robert, Agnes. Mesmo hoje em dia tropas mistas ainda são exceção.

 

Curiosidades

Nomenclatura: Os escoteiros-mirins são chamados “lobinhos” no Brasil. Em inglês, os meninos são os cubs e as meninas, brownies. Somente depois eles se tornam “escoteiros de verdade” e, finalmente, Guias (nomenclaturas diversas).

Números: Dos cerca de 40 milhões de escoteiros espalhados por mais de 200 países no mundo inteiro, mais da metade está concentrada nos seguintes países, nesta ordem:  Indonésia, EUA, Índia e Filipinas. No Brasil, o movimento ainda não é muito difundido.

Sempre Alerta (Be prepared): O lema dos escoteiros e o seu sistema de valores baseado na honra e lealdade é a sua marca registrada. Ainda assim, nunca estamos livres de desvios de conduta… Basta assistir à cena abaixo do longa de animação da Sony “A Casa Monstro” (Monster House) e conferir.

Verdade seja dita, após rever o trecho, percebi que a “vendedora” não é escoteira, e sim apenas uma estudante. Ainda assim, a cena é impagável e eu diria que preocupantemente engraçada.

 

 

E aí? O que acharam?

Are you having fun yet?

Essa é a frase do momento no trabalho. Cada vez que aparece mais um abacaxi ou cada vez que um problema toma proporções maiores, significando que a gente vai ter de fazer ainda mais um serviço complexo e trabalhoso, desses que a gente não deseja a ninguém, a gente pergunta

Foto: Getty images

Foto: Getty images

Imagine a seguinte cena:

Você, sua chefe e outros colegas em um War room (sala de guerra), que é o apelido dado às salas de reunião (boardrooms). O nome “guerra” não é referência a discussões ou mesmo eventuais brigas que podem ocorrer nesse tipo de sala, mas sim em relação à mesma ser uma sala de estratégia. A guerra, talvez, seria aquela travada com os concorrentes.

Enfim. Continuando…

Ao centro da mesa, o telefone está no speaker, para todos ouvirem. Do outro lado da linha, notícias nada agradáveis, do tipo:  “esse trabalho terá de ser refeito”.

Áudio-conferência encerrada, todos dão aquele suspiro de puxa vida…

É nesse momento que um colega se vira para o outro e pergunta: “Are you having fun yet?” (Algo como, “Você já está se divertindo?”)

É um comentário irônico, claro, mas o suficiente para fazer todos abrirem um pouco o sorriso e para aliviar a tensão ao menos por um breve momento.

O trabalho deveria ser uma diversão. Quer dizer, todos deveriam ao menos gostar do que fazem, curtir mesmo.

Ora, sabemos que a realidade corporativa não é bem essa, mas, se há uma coisa que eu aprendi é que, não importa em que parte do mundo você trabalhe, o dia sempre ficará mais leve se você encarar as “broncas” do dia a dia com bom humor.