O ano em que morei no Canadá

Oi pessoal!

Muito tempo sem postar aqui no blog. A verdade é que eu voltei para a minha terra e agora já não faz tanto sentido continuar a postar por aqui.

Por outro lado, são tantas lembranças, tanto que ainda tenho a dizer, que não consigo me desvincular desse blog ainda.

Segue um vídeo que eu fiz para o pessoal que ficou por lá, para matar um pouco as saudades.

Toda vez que eu vejo o vídeo, penso em mil coisas e pessoas que ficaram de fora, mas acho que dá para se ter uma boa idéia de como foi essa minha experiência no Canadá.

O ano em que morei no Canadá

Clique na imagem para acessar o vídeo

Esse outro, abaixo, é um vídeo que eu fiz sobre o Brasil, para os gringos ficarem babando!

Espero que gostem!

Post rápido

Como ando sumida já faz um tempo, seguem alguns comentários rápidos, cada um com potencial de ter um post próprio:

  • Feijoada no Canadá faz bem pra pele, pra o colesterol e para a saudade;
  • Já a música brasileira ao vivo tem o poder de fazer o tempo melhorar e parar de chover, só pra o mais acanhado sair de debaixo da tenda e ir para perto do palco;
  • O Tai Chi em grupo, por sua vez, faz sinos tocarem (ao menos se o grupo estiver na frente do Parlamento “Big Ben” de Ottawa);
  • Em compensação, uma brasileira ensinando matemática em inglês (fração e porcentagens) faz uma criança ficar ainda mais confusa do que já estava antes;
  • Ao menos existe o Garage Sale Anual que, além de fazer muitos calos, faz também a alegria de milhares de pessoas que acordam cedo em pleno sábado para conferir todos os cacarecos.

E… at last but not least (por último mas não menos importante)…

Bicicleta vermelha e enferrujada – $ 40 dólares
Passear ao longo do rio em companhia de esquilos e adultos e crianças sorridentes, felizes só pelo fato de “fazer um dia bonito lá fora” – não tem preço

 

É isso. Espero que tenham gostado.

My name ain’t Johnny

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Não sou muito aficionada pelo Cinema Nacional, mas, como já comentei em outros posts, quando se está morando fora é como se você fosse acometido por um orgulho que o faz querer prestigiar o Brasil em todas as oportunidades.

E não poderia ser diferente com o 13th Latin American Film Festival aqui em Ottawa, promovido pelo Canadian Film Institute.

O domingo foi dedicado ao Brasil, com reprodução de duas películas:

Jogo de Cena (Playing): documentário que “conversa” com a ficção e 
Meu nome não é Johnny (My name ain’t Johnny): filme de ficção baseado em fatos.

jogo-de-cenaMuito interessante a idéia da Embaixada Brasileira em disponibilizar filmes que “brincam” um pouco com as duas linguagens: documentário e ficção. O primeiro, Jogo de Cena (assista ao trailer), dirigido por Eduardo Coutinho, documentarista brasileiro de renome internacional, foi o que mais me tocou, particularmente a história da senhora que perdeu o filho em um assalto. Também dei muitas risadas nervosas ao ouvir este comentário de uma garota ingênua e analfabeta, que me fez refletir sobre o quanto a educação é importante e o quão crítica está a situação de nosso país nesse aspecto:

“Eu pensei que para engravidar era preciso ‘fazer’ muitas vezes, que uma ‘rapidinha’ não contava. Tive até medo que minha filha nascesse com algum problema, tipo ‘faltando alguma coisa’, por ter sido só uma vez e tão rápido. É por isso que eu parei definitivamente de ‘fazer’: se só com uma ‘rapidinha’ eu já tive uma menina, imagina ‘o que é que não vai sair’ se eu fizer muitas vezes?!”.

Ele tinha tudo, menos limite.

Ele tinha tudo, menos limite.

Acho que Jogo de Cena impressionou pela originalidade. Já o “Johnny” chamou a atenção dos mais velhos pelo fato de um garoto que tinha tudo e todo o carinho dos pais ter se envolvido a tal ponto no mundo das drogas sem que os mesmos sequer desconfiassem. Como a própria tagline do filme diz:

He could be your son’s best friend. He could be dating your daughter. He is the sweetest drug dealer… and he is real.

(Ele poderia ser o melhor amigo do seu filho. Poderia estar namorando a sua filha. Ele é o mais “doce” dos traficantes… e ele é real).

Para a exibição de Meu nome não é Johnny (trailer), sucesso de público do ano passado, o auditório da Libray and Archives Canada (Biblioteca do Arquivo Nacional) estava praticamente lotado e, de modo impressionante, quase não havia brasileiro. A maior parte do público era formada por latinos e pessoas da região francesa do Canadá, com a qual Ottawa faz fronteira.

É que se tratou de um evento “importante”, que contou com a presença do Embaixador do Brasil e sua família em ambos os filmes, bem como de embaixadores de outros países da América Latina e até mesmo da Mongólia. Foi a segunda vez que vi o Embaixador do Brasil (a primeira eu contei aqui).  

Após a exibição dos filmes, a noite do evento foi encerrada com Wine and Cheese (Queijos e Vinhos). Melhor pra mim, pois, depois de muito, muito tempo, pude comer coxinha, pão de queijo e empadinha à vontade.

Diferente a experiência de assistir a filmes falados em português com legenda em inglês, em sessões em que as pessoas ficam de pé e batem palmas ao final das exibições. Acho que esse é o próprio conceito de um Festival de Cinema. Afinal, se o cinema é considerado a “sétima arte”, por que não aplaudir um trabalho de qualidade?

Tatuagem – Parte II

Camila, a dona da tatuagem (clique na imagem para ampliar)

Camila, a dona da tatuagem

Olá, queridos co-pilotos. Antes de mais nada, queria agradecer todos os comentários e e-mails de apoio e congratulações em relação à tatuagem.

Realmente, acho que todos nós concordamos que a tatuagem de Camila é linda!

“Hein? Como assim? Então a tatuagem não é sua??!!”

Ah, gente! Em nenhum momento eu disse que a tatuagem era minha. Está bem, eu confesso que o modo como me expressei no post anterior pode ter favorecido essa conclusão. Engraçado como as pessoas podem ter diferentes interpretações, não é mesmo?

Mas, convenhamos: quem me conhece bem sabe que eu não tenho coragem sequer para fazer um outro furo bem pequenino na minha orelha, quem dirá então para fazer uma tatuagem?

Brincadeiras à parte, ainda que eu fosse destemida o suficiente para encarar essa aventura, tatuagem não combina muito comigo (daí o espanto de tanta gente) e por mais que uma viagem como essa mude uma pessoa, a nossa essência será sempre a mesma.

Ademais, eu sou doadora de sangue.

E o que isso tem a ver? Bem, digamos apenas que as suas chances de ser liberado para doar após o interrogatório questionário do médico diminuem bastante se você tiver tatuagens, piercings e afins (Falando nisso, tenho um episódio curioso para contar sobre doação de sangue aqui no Canadá, mas isso é assunto para outro post).

Enfim. Acho que, apesar de tudo, valeu mesmo a intenção, afinal não é todo dia que se encontra uma tatoo que, como muitos apontaram, é a minha cara. Também foi interessante para se ter uma idéia de como teriam sido as reações caso a tatuagem fosse minha mesmo (quem sabe um dia?).

O danado é que o objetivo do primeiro post sobre a tatuagem era só de criar expectativa para o “Grand Post” sobre a 1ª Roda de Samba do ano!!! Acontece que o frisson gerado foi tão grande que agora nada que eu comente sobre a festa poderá causar tal impacto.

Então o que eu posso dizer é que a Roda de Samba na OttawaU (Universidade de Ottawa) em 17 de janeiro foi um jeito bem legal de abrir as festas desse ano e que para mim o ponto alto do evento foi quando eles improvisaram Tiro ao Álvaro em minha homenagem, e ainda prometeram que da próxima vez irão ensaiar antes e acrescentar a música ao repertório =)

Seguem algumas fotos do evento:

Isabel (Brasil), Diane (Canadá), eu e Adamira (Nicarágua)

Isabel (Brasil), Diane (Canadá), eu e Adamira (Nicarágua)

Angela (Canadá), Estevão e eu (Brasil) e Fabián (México)

Angela (Canadá), Estevão e eu (Brasil) e Fabián (México)

Pessoal da Roda de Samba

Roda de Samba na OttawaU, 17 de janeiro de 2009

Tatuagem

Sou brasileira, com muito orgulho.

Sou brasileira, com muito orgulho.

Sempre que considerava a possibilidade de fazer uma tatuagem, desistia da ideia (ô reforma incoveniente) logo de cara, só pela dúvida de que imagem utilizar.

Indecisa como sou, imaginava que, depois de passar séculos para escolher uma, assim que eu a visse tomar forma, já me sentiria arrependida: “ah… não ficou como eu queria, bem que eu sabia que aquela outra era melhor!”

Ora, mas isso foi antes. É que eu descobri que na verdade o caminho é inverso. Você não deve pensar em fazer uma tatuagem e então decidir qual será.

A experiência deve vir antes, como algo tão forte e marcante em sua vida que você quer deixar registrado, não quer se permitir esquecer, pois isso define a sua própria essência. Então, e só então, você procura um símbolo que, para você, represente tudo isso. A tatuagem vem por último, ela vem da necessidade de gritar ao mundo e a você mesmo: “esse/a sou eu”.

Não importa se daqui a alguns anos você mudar (e acredite, você irá) e, ao ver a tatuagem, pense algo como: “onde é que eu estava com a cabeça?”. O que importa é que um dos seus vários “eus” está ali e você nunca irá esquecer que isso fez parte de sua vida e sempre fará parte do que você é.

 

Enfim. Gostaram da tatuagem? Querem saber mais sobre essa aventura?

Então, “aguardem e confiem”, que no final de semana tem mais…

Vai ser diferente (It will be different)

No “espírito de Ano Novo”, publico aqui um poema de Carlos Drummond de Andrade, já bem conhecido. Tomei a liberdade de fazer uma tradução simplória livre do texto para o inglês e então o repassei para colegas de trabalho e amigos aqui do Canadá. Nem precisa dizer que eles adoraram, né? É isso aí, temos mais é de “exportar” a nossa cultura, em vez de só reclamar que eles acham que o Brasil é só “Carnaval e futebol”.

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante
vai ser diferente.”

(Carlos Drummond de Andrade, poeta, contista e cronista brasileiro, 1902 – 1987)

Um Feliz Ano Novo para todos!

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Time

“Whoever had the idea to cut the time in slices,
to what has been given the name of “year”,
was a remarkable genius.
For this has industrialized hope,
making it work up to an exhaustion edge. 

Twelve months are enough to make any human being tired out to the point of
throwing in the towel.
But then comes the miracle of renovation,
and everything starts yet once again, with another number
and another will to believe
that from now on
it will be different.”

(Carlos Drummond de Andrade, Brazilian poet, writer and columnist, 1902 – 1987)

A Happy New Year to all!

Free Hugs (Abraços gratuitos)

 Uma pergunta recorrente é: “de que você mais sente falta?”.

Acho que depende da fase em que você está. Além do óbvio “família e amigos”, houve um tempo em que eu daria tudo por um simples “pão francês”.

Com o tempo, você se acostuma. E aquele velho aperto no peito, embora cada vez maior, passa a fazer parte do que você é. Se “a saudade é um sentimento que parece não ter mais fim”, é também algo com o que você aprende a conviver. Em outras palavras, você segue em frente.

Só que, às vezes, no “meio do caminho”, ainda me pego sentindo que “algo” falta, mas não sei bem o quê. Admiro a paisagem, a cidade impecavelmente limpa e o povo que, de tão educado e “certinho”, chega a causar certo incômodo (não sei, simplesmente não me parece natural). O que estará faltando?

Nessa cidade sem outdoors ou buzinas, sinto falta do “burburinho”, das pessoas conversando animadas em voz alta, do barulho das ondas quebrando na areia da praia, do cheiro de água salgada que vem junto com aquela brisa que consegue ser ao mesmo tempo refrescante e acolhedora.

Agora, “vazio” de verdade você sente mesmo pela falta de contato, de calor humano. Engraçado como a gente sempre ouve isso das pessoas que viajam e achamos que é exagero. Não é que as pessoas aqui sejam frias ou hostis. Pelo contrário, o canadense é bastante receptivo e compreensivo, já faz parte de seu cotidiano receber estrangeiros e ele não se importa com as diferenças nem liga para a sua pronúncia ou erros ao tentar falar o idioma. O problema é que, com tanta civilidade, o canadense aprende desde cedo a manter uma distância respeitosa do próximo. Moral da história: aqui ninguém se abraça.

Acho que vou voltar do Canadá com trauma de aperto de mão. Esse é o maior contato que você consegue ter, até porque o normal é você dizer “oi” com aquele aceno um tanto quanto “awkward” (constrangedor), desses de quando você é bem tímido.

Não é que eu queira sair por aí abraçando todo mundo e, é claro que, por motivo de força maior dramática, estou exagerando um pouco. É que aqui me parece que você precisa de motivo para abraçar a pessoa. Por exemplo, hoje foi aniversário de uma colega de trabalho e, naturalmente, todo mundo a abraçou, mas seria no mínimo estranho abraçar alguém sem um motivo especial.

Também isso tem muito a ver com intimidade. Estou certa de que, em suas casas, os canadenses são bastante carinhosos com seus cônjuges e filhos, e provavelmente também o são com amigos mais próximos. Eles só não se sentem confortáveis em serem tão… digamos… expansivos quanto nós quando se trata de alguém fora desse “núcleo”.

Acontece que, separados que estamos, pela distância, dos nossos entes queridos, só nos resta a opção de abraçar quem quer que esteja “aberto” a isso. Daí o nosso “talento” para conseguirmos encontrar tantos brasileiros e latinos em meio a essa verdadeira Babel.

Isso me lembra uma campanha que vi no Youtube (vulgo filho do “Oráculo”, o Google), chamada “Free Hugs” (abraços gratuitos em tradução livre). Pelo vídeo dá para ver como o mundo anda mesmo carente de abraços…

Enfim. Em tempos de crise e novas roupagens para mais uma velha-guerra-que-ninguém-entende, deixo aqui o vídeo como uma mensagem de afeto entre os povos:

Um abraço bem apertado desses que todo mundo se permite dar e receber (até mesmo com lágrimas disfarçadas)  em portões de embarque e desembarque de aeroportos.

Cin