Post rápido

Como ando sumida já faz um tempo, seguem alguns comentários rápidos, cada um com potencial de ter um post próprio:

  • Feijoada no Canadá faz bem pra pele, pra o colesterol e para a saudade;
  • Já a música brasileira ao vivo tem o poder de fazer o tempo melhorar e parar de chover, só pra o mais acanhado sair de debaixo da tenda e ir para perto do palco;
  • O Tai Chi em grupo, por sua vez, faz sinos tocarem (ao menos se o grupo estiver na frente do Parlamento “Big Ben” de Ottawa);
  • Em compensação, uma brasileira ensinando matemática em inglês (fração e porcentagens) faz uma criança ficar ainda mais confusa do que já estava antes;
  • Ao menos existe o Garage Sale Anual que, além de fazer muitos calos, faz também a alegria de milhares de pessoas que acordam cedo em pleno sábado para conferir todos os cacarecos.

E… at last but not least (por último mas não menos importante)…

Bicicleta vermelha e enferrujada – $ 40 dólares
Passear ao longo do rio em companhia de esquilos e adultos e crianças sorridentes, felizes só pelo fato de “fazer um dia bonito lá fora” – não tem preço

 

É isso. Espero que tenham gostado.

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Construção

construção

No Canadá, verão é sinônimo de construção

Para encarar o frio aqui no Canadá é necessário, antes de mais nada, muito bom humor. E isso o canadense tem de sobra. Olha só como o pessoal costuma definir as estações:

“Em Montreal há duas estações: INVERNO e JULHO”.

(lembrando que, como estamos no hemisfério norte, junho, julho e agosto seriam os meses do verão)

As quatro estações em Ottawa:

Almost Winter, Winter, Still Winter and Construction”

(Quase Inverno, Inverno, Ainda Inverno e Construção)

Essa última, “construção”, refere-se ao período do “verão”, que é praticamente a única estação em que é possível “construir” aqui no Canadá. Então nessa época parece mesmo que a cidade inteira está em obras, sempre há pequenos detours (desvios) nos trajetos de ônibus por conta de ruas bloqueadas para reformas e há guindastes e equipamentos de construção pesada em toda a parte. Afinal é esse o tempo que eles têm para construir novos prédios e garantir que as estradas resistam ao inverno (e a todo o sal e tratores utilizados para retirar a neve).

Cheguei até mesmo a ficar preocupada: “será que esse pessoal todinho da construção fica o inverno inteiro desempregado?”

Não tenho como afirmar, mas acredito que é justamente esse pessoal quem cuida da operação dos inúmeros tratores de neve em todos os seus tamanhos e formatos, feitos na medida para se adequar de grandes estradas a estreitas calçadas.

Enfim. São tantas as piadas e os comentários sobre o inverno que não dá para escrever tudo em um só post.

Então fiquem ligados que na próxima semana tem mais. 

Free Hugs (Abraços gratuitos)

 Uma pergunta recorrente é: “de que você mais sente falta?”.

Acho que depende da fase em que você está. Além do óbvio “família e amigos”, houve um tempo em que eu daria tudo por um simples “pão francês”.

Com o tempo, você se acostuma. E aquele velho aperto no peito, embora cada vez maior, passa a fazer parte do que você é. Se “a saudade é um sentimento que parece não ter mais fim”, é também algo com o que você aprende a conviver. Em outras palavras, você segue em frente.

Só que, às vezes, no “meio do caminho”, ainda me pego sentindo que “algo” falta, mas não sei bem o quê. Admiro a paisagem, a cidade impecavelmente limpa e o povo que, de tão educado e “certinho”, chega a causar certo incômodo (não sei, simplesmente não me parece natural). O que estará faltando?

Nessa cidade sem outdoors ou buzinas, sinto falta do “burburinho”, das pessoas conversando animadas em voz alta, do barulho das ondas quebrando na areia da praia, do cheiro de água salgada que vem junto com aquela brisa que consegue ser ao mesmo tempo refrescante e acolhedora.

Agora, “vazio” de verdade você sente mesmo pela falta de contato, de calor humano. Engraçado como a gente sempre ouve isso das pessoas que viajam e achamos que é exagero. Não é que as pessoas aqui sejam frias ou hostis. Pelo contrário, o canadense é bastante receptivo e compreensivo, já faz parte de seu cotidiano receber estrangeiros e ele não se importa com as diferenças nem liga para a sua pronúncia ou erros ao tentar falar o idioma. O problema é que, com tanta civilidade, o canadense aprende desde cedo a manter uma distância respeitosa do próximo. Moral da história: aqui ninguém se abraça.

Acho que vou voltar do Canadá com trauma de aperto de mão. Esse é o maior contato que você consegue ter, até porque o normal é você dizer “oi” com aquele aceno um tanto quanto “awkward” (constrangedor), desses de quando você é bem tímido.

Não é que eu queira sair por aí abraçando todo mundo e, é claro que, por motivo de força maior dramática, estou exagerando um pouco. É que aqui me parece que você precisa de motivo para abraçar a pessoa. Por exemplo, hoje foi aniversário de uma colega de trabalho e, naturalmente, todo mundo a abraçou, mas seria no mínimo estranho abraçar alguém sem um motivo especial.

Também isso tem muito a ver com intimidade. Estou certa de que, em suas casas, os canadenses são bastante carinhosos com seus cônjuges e filhos, e provavelmente também o são com amigos mais próximos. Eles só não se sentem confortáveis em serem tão… digamos… expansivos quanto nós quando se trata de alguém fora desse “núcleo”.

Acontece que, separados que estamos, pela distância, dos nossos entes queridos, só nos resta a opção de abraçar quem quer que esteja “aberto” a isso. Daí o nosso “talento” para conseguirmos encontrar tantos brasileiros e latinos em meio a essa verdadeira Babel.

Isso me lembra uma campanha que vi no Youtube (vulgo filho do “Oráculo”, o Google), chamada “Free Hugs” (abraços gratuitos em tradução livre). Pelo vídeo dá para ver como o mundo anda mesmo carente de abraços…

Enfim. Em tempos de crise e novas roupagens para mais uma velha-guerra-que-ninguém-entende, deixo aqui o vídeo como uma mensagem de afeto entre os povos:

Um abraço bem apertado desses que todo mundo se permite dar e receber (até mesmo com lágrimas disfarçadas)  em portões de embarque e desembarque de aeroportos.

Cin