Are you having fun yet?

Essa é a frase do momento no trabalho. Cada vez que aparece mais um abacaxi ou cada vez que um problema toma proporções maiores, significando que a gente vai ter de fazer ainda mais um serviço complexo e trabalhoso, desses que a gente não deseja a ninguém, a gente pergunta

Foto: Getty images

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Imagine a seguinte cena:

Você, sua chefe e outros colegas em um War room (sala de guerra), que é o apelido dado às salas de reunião (boardrooms). O nome “guerra” não é referência a discussões ou mesmo eventuais brigas que podem ocorrer nesse tipo de sala, mas sim em relação à mesma ser uma sala de estratégia. A guerra, talvez, seria aquela travada com os concorrentes.

Enfim. Continuando…

Ao centro da mesa, o telefone está no speaker, para todos ouvirem. Do outro lado da linha, notícias nada agradáveis, do tipo:  “esse trabalho terá de ser refeito”.

Áudio-conferência encerrada, todos dão aquele suspiro de puxa vida…

É nesse momento que um colega se vira para o outro e pergunta: “Are you having fun yet?” (Algo como, “Você já está se divertindo?”)

É um comentário irônico, claro, mas o suficiente para fazer todos abrirem um pouco o sorriso e para aliviar a tensão ao menos por um breve momento.

O trabalho deveria ser uma diversão. Quer dizer, todos deveriam ao menos gostar do que fazem, curtir mesmo.

Ora, sabemos que a realidade corporativa não é bem essa, mas, se há uma coisa que eu aprendi é que, não importa em que parte do mundo você trabalhe, o dia sempre ficará mais leve se você encarar as “broncas” do dia a dia com bom humor.

Efeito bumerangue

Fonte: Getty images

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Quanto mais forte você atira uma tarefa para longe, maior a força com que ela volta para você.

Um dia na minha vida canadense

Terça-feira. A rotina puxada começa cedo, com uma reunião via áudio-conferência às 7 da manhã! O horário incômodo deve-se ao fato de que participam dessa ligação países do outro lado do globo, como Malásia e Austrália, entre outros. Durante o dia ainda enviarei e-mails para França, Romênia e Índia. Estamos na etapa final da fase 1 do projeto! 

Vejo no calendário que hoje é dia dos “aniversariantes do mês” aqui no RH. Mais uma vez tenho de me lembrar que no “Parabéns” do Canadá não se bate palmas. Saio atrasada rumo ao trabalho voluntário na Biblioteca Sede, no centro de Ottawa. Ensinar Matemática em inglês é o meu mais novo desafio.
Nem entrei em casa e já tiro os sapatos, costume canadense bastante compreensível, uma vez que, durante boa parte do ano, andamos com botas cobertas de neve. Exausta, abro uma geladeira vazia. Não é fácil morar só! Decido ir ao supermercado de bicicleta, pois no Canadá logo aprendemos a nunca desperdiçar um “dia bonito”.
A volta é marcada por um belo entardecer ao longo do rio, às 9 da noite. Distraída, a mente me remete aos dias em que enfrentei uma temperatura de -40º C! Difícil imaginar que, não faz nem um ano, eu ainda estava no Brasil, recém-chegada à AIESEC Recife, com aquele sonho antigo de fazer a minha primeira viagem para o exterior.
O mundo parece pequeno agora. Já os meus sonhos, estes não param de crescer.  

Vejo no calendário que hoje é dia dos “aniversariantes do mês” no RH. Mais uma vez tenho de me lembrar que no “Parabéns” do Canadá não se bate palmas. Saio atrasada rumo ao trabalho voluntário na Biblioteca Sede, no centro de Ottawa. Ensinar Matemática em inglês é o meu mais novo desafio.

Nem entrei em casa e já tiro os sapatos, costume canadense bastante compreensível, uma vez que, durante boa parte do ano, andamos com botas cobertas de neve. Exausta, abro uma geladeira vazia. Não é fácil morar só! Decido ir ao supermercado de bicicleta, pois no Canadá logo se aprende a nunca desperdiçar um “dia bonito”.

A volta é marcada por um belo entardecer ao longo do rio, às 9 da noite. Distraída, a mente me remete aos dias em que enfrentei uma temperatura de -40º C! Difícil imaginar que, não faz nem um ano, eu ainda estava no Brasil, nutrindo aquele sonho antigo de fazer a minha primeira viagem para o exterior.

O mundo parece pequeno agora. Já os meus sonhos, estes não param de crescer.

É primavera – Parte II

Recepcionada por gansos na entrada do trabalho

Recepcionada por gansos na entrada do trabalho

Da série: Você só encontra no Canadá

Chegar ao trabalho de manhã cedo com gansos canadenses para lhe receber à porta é muito bom.

Além de muito fofos, como mencionei em post anterior, o fato de já podermos vê-los de volta de sua migração para o sul anuncia que o inverno ficou mesmo para trás e que dias mais quentes estão a caminho.

O pessoal no trabalho ainda me contou que todos os anos os gansos fazem alguns ninhos bem no meio do estacionamento (protegidos por um pequeno cercado). Então logo logo terei fotos com aquela fila de filhotinhos atrás da mamãe-ganso.

É, meus queridos co-pilotos… é primavera!

Comendo o meu café-da-manhã (sucrilhos)

Comendo o meu café-da-manhã (sucrilhos)

Até tu, Canadá?

E eis que hoje, depois de me empacotar toda para mais um dia nesse “admirável mundo novo” e seguir por uma trilha coberta de neve já quase no joelho até a parada de ônibus, o que eu descubro?

 

Os ônibus estão em greve!!!

 

“Hã? Como assim? No Canadá também tem greve? O mundo tá perdido mesmo!”

Pois é. Que na França vive tendo greve já não é novidade, mas no Canadá? E olha que eu nem estou na parte francesa…

Também é preciso deixar essa “revolta” a que fui acometida um pouco de lado para esclarecer que greves não são algo comum por aqui. Pelo que me disseram, a última foi há 12 anos, em 1996. Detalhe: Essa durou um mês.

O que é mesmo revoltante é que aqui, em Ottawa, os motoristas de ônibus, apesar de viverem sob o stress característico da profissão, são muito bem pagos e, só para completar, são funcionários públicos, com direito a todos os benefícios e regalias que vêm com o “pacote”.

Foi pedido um aumento de 10% no salário e a contraproposta foi de 7%, o que não é nada mal em tempos de crise. Além disso, foi oferecido um “bônus” de 2.000 dólares canadenses.

E eles ainda têm a audácia de dizer que a greve “não é por dinheiro”.  O que não deixa de ser uma forma de tornar ainda mais nítido que tudo o que eles querem é “mamata”. Por exemplo, eles já se dão ao luxo de ter direito a um número de “sick days” anual (licença por motivo de doença) a que estão isentos de apresentar atestado. Ou seja, eles podem simplesmente ligar dizendo que estão doentes e pronto, nada mais é questionado. E o que eles querem? O “direito” a mais dias de falta sem “atestado médico”, é mole?

A impressão que dá é a de que eles escolheram justamente esse período – com o perdão da palavra – de sacanagem mesmo. Poxa, época de fim de ano, em que todo mundo vai às compras, todos os estudantes estão em exames finais, todo mundo atolado no trabalho por conta do fechamento de ano e, só para um “toque final” com “requintes de crueldade”, quando a sensação térmica está chegando aos 29 graus negativos!!!

Olhe, sei não, viu?

Só digo uma coisa: ainda bem que a minha empresa permite que os funcionários trabalhem de casa todos os dias

Helpdesk – Parte I

helpJá vi que daria para fazer uma série só com os “episódios” das minhas ligações para o Helpdesk da Alcatel.

Tanto aqui quanto no Brasil, toda empresa relativamente grande tem em seu prédio uma sala com a equipe de “Suporte/Helpdesk”, em que por definição você não pode simplesmente ir lá, “bater na porta” e pedir para resolverem o seu “problema técnico” (mais conhecido como “minha máquina travou de novo!”): em vez disso você tem de ligar pelo ramal e “abrir um chamado“.

Bem, já numa empresa absurdamente grande como a Alcatel, o Helpdesk é assim:

Primeiro, o já supramencionado procedimento padrão: você liga para o ramal, que, só para ser “diferente”, à la norte-americanos, nunca será informado como um simples número, e sim como uma palavra, que, no caso, convenientemente é HELP (daí você procura cada letra correspondente no teclado do telefone e vê que a ext. é 4357).

Até aí tudo bem, mas, como eu já disse, estamos falando de uma empresa monstruosamente enorme. Então, não somente o Helpdesk tem uma U.R.A. (Unidade de Resposta Audível, aquele atendimento eletrônico do tipo “para falar com um de nossos atendentes, aperte 2”), como também não é uma U.R.A. qualquer. É mais ou menos assim:

“For English helpdesk support, press one…
… Para Español, marque numero dos
 …Pour support en Français, pressez le trois”

(Peço perdão aos poliglotas que se contorceram com os erros, mas foi só para demonstrar, ok?)

Olha, sei não viu… Bom, já que não tem opção em português (não queria nada, né?), o jeito é escolher o “suporte em inglês” mesmo (fazer o quê?).

Agora, se normalmente já é complicado você fazer o “consultor” entender qual é o problema da sua máquina detalhando tudo bem direitinho em português, imagina quando você tem de se “virar nos 30” e explicar a zica que deu no seu computador em inglês?

(Na verdade, pensando bem, não devia ser tão difícil assim, já que na informática a maioria dos termos a gente já usa em inglês mesmo, tipo download, plugin, login, password, software, drive etc. A pegadinha é você conseguir juntar tudo isso em uma frase que faça sentido).

Enfim. Para tudo ficar ainda mais interessante (ou, como diria meu pai, “para quê facilitar se a gente pode complicar?”), do outro lado da linha, o suposto “especialista no assunto” também não é assim alguém, digamos, totalmente fluente no idioma.

“Hein? Como assim? Mas você não escolheu ‘em inglês’?”

Pois é… Mas é que, na verdade, a própria central do Helpdesk não está localizada no Canadá. Ou nos EUA. Muito menos no México. Aliás, nem sequer nas “Américas” está.

Mas isso é matéria para um outro post…

Viagem a trabalho para o Canadá

“Viagem a trabalho para o Canadá? Como assim?”.

É uma pergunta recorrente. Então, começo logo explicando:

“Trata-se de um estágio de um ano em Ottawa na área de RH da Alcatel-Lucent (gigante das telecomunicações). É um trabalho normal, com expediente de segunda à sexta (das 8h às 4h), remunerado e com os mesmos direitos trabalhistas de qualquer outro empregado”.

“E como você conseguiu?”.

Essa é a parte da conversa em que você já ficou interessado e quer saber como faz para “conseguir” também. Aí é a minha vez de perguntar:

“Você já ouviu falar da AIESEC?”

Invariavelmente, a resposta é não. Antes mesmo de começar a explicar do que se trata, é necessário esclarecer:

“Não é uma agência de intercâmbio”.

A AIESEC é a plataforma internacional para jovens descobrirem e desenvolverem o seu potencial.

Trata-se de uma organização estudantil sem fins lucrativos fundada no pós-guerra (há 60 anos). Nessa época, ainda devido aos efeitos da guerra, a idéia era promover o intercâmbio cultural entre jovens para estimular uma maior tolerância entre diferentes crenças e etnias.

Hoje a AIESEC vai além e busca desenvolver lideranças conscientes de seu papel na promoção da diversidade e sustentabilidade no mundo corporativo. E o meio que a AIESEC encontrou para alcançar esse objetivo foi estabelecer parcerias com empresas do mundo inteiro, sejam elas locais ou grandes multinacionais. Desse modo, a cada ano são abertas por todo o globo milhares de vagas de estágio, para as mais diversas áreas.

Por ser uma organização totalmente formada por jovens universitários ou recém-formados, a AIESEC oferece a esses estudantes a chance de assumir cargos de liderança, o que normalmente não acontece em “estágios” comuns. E esse é apenas um dos diferenciais que fazem com que grandes empresas procurem profissionais da AIESEC.

Bem, espero ter aguçado a sua curiosidade.

Para saber como se tornar um “AIESECo” ou simplesmente conhecer um pouco mais sobre essa instituição, acesse:

AIESEC Recife
www.aiesec.org.br/recife

AIESEC Brasil
http://www.aiesec.org.br/

AIESEC no mundo
http://www.aiesec.org/


E boa jornada!