O ano em que morei no Canadá

Oi pessoal!

Muito tempo sem postar aqui no blog. A verdade é que eu voltei para a minha terra e agora já não faz tanto sentido continuar a postar por aqui.

Por outro lado, são tantas lembranças, tanto que ainda tenho a dizer, que não consigo me desvincular desse blog ainda.

Segue um vídeo que eu fiz para o pessoal que ficou por lá, para matar um pouco as saudades.

Toda vez que eu vejo o vídeo, penso em mil coisas e pessoas que ficaram de fora, mas acho que dá para se ter uma boa idéia de como foi essa minha experiência no Canadá.

O ano em que morei no Canadá

Clique na imagem para acessar o vídeo

Esse outro, abaixo, é um vídeo que eu fiz sobre o Brasil, para os gringos ficarem babando!

Espero que gostem!

Come back Cintia, the movies miss you

Movies just aren't magical without youO e-mail com essa mensagem eu recebi em 5 de maio, mas só agora encontrei tempo para comentar.

Achei incrível essa ação de Marketing de Relacionamento, que foi enviada pela empresa do meu “cartão fidelidade” (Scene Card) do Cineplex, a rede de cinemas mais famosa daqui.

O e-mail traz o seguinte pedido: “Volte Cintia, os filmes sentem a sua falta”. E ainda completa: “Os filmes simplesmente perdem a magia sem você. Faz tanto tempo desde que vimos você no cinema”.

Pode parecer uma ação boba, mas cai como uma luva para o seu público-alvo, os cinéfilos. O sistema identificou que eu costumava ir ao cinema com certa frequência e que já faz bem uns 2 ou 3 meses que eu não vou. Ora, é claro que, como cinéfila, eu sinto falta de ir ao cinema, mas a falta de tempo e outras circunstâncias me impedem de ir. Receber então uma mensagem dizendo que os filmes também “sentem minha falta” é um mimo muito bemvindo.

Essa frase me fez ainda refletir sobre tudo o que tenho sentido falta de fazer. Aquele tipo de coisa que você gosta de fazer, mas tem de deixar de lado em favor de outras. De tão características, elas fazem parte da sua própria essência e parece até que você não se sente você mesmo quando deixa de fazê-las. Escrever foi a primeira coisa que me veio à mente. A imagem do meu blog pedindo para que eu voltasse me abriu um sorriso desses de canto de boca, pelo absurdo: “Volte Cintia, o blog sente a sua falta”.

Bem, farei o possível para atender ao seu pedido.

Um dia na minha vida canadense

Terça-feira. A rotina puxada começa cedo, com uma reunião via áudio-conferência às 7 da manhã! O horário incômodo deve-se ao fato de que participam dessa ligação países do outro lado do globo, como Malásia e Austrália, entre outros. Durante o dia ainda enviarei e-mails para França, Romênia e Índia. Estamos na etapa final da fase 1 do projeto! 

Vejo no calendário que hoje é dia dos “aniversariantes do mês” aqui no RH. Mais uma vez tenho de me lembrar que no “Parabéns” do Canadá não se bate palmas. Saio atrasada rumo ao trabalho voluntário na Biblioteca Sede, no centro de Ottawa. Ensinar Matemática em inglês é o meu mais novo desafio.
Nem entrei em casa e já tiro os sapatos, costume canadense bastante compreensível, uma vez que, durante boa parte do ano, andamos com botas cobertas de neve. Exausta, abro uma geladeira vazia. Não é fácil morar só! Decido ir ao supermercado de bicicleta, pois no Canadá logo aprendemos a nunca desperdiçar um “dia bonito”.
A volta é marcada por um belo entardecer ao longo do rio, às 9 da noite. Distraída, a mente me remete aos dias em que enfrentei uma temperatura de -40º C! Difícil imaginar que, não faz nem um ano, eu ainda estava no Brasil, recém-chegada à AIESEC Recife, com aquele sonho antigo de fazer a minha primeira viagem para o exterior.
O mundo parece pequeno agora. Já os meus sonhos, estes não param de crescer.  

Vejo no calendário que hoje é dia dos “aniversariantes do mês” no RH. Mais uma vez tenho de me lembrar que no “Parabéns” do Canadá não se bate palmas. Saio atrasada rumo ao trabalho voluntário na Biblioteca Sede, no centro de Ottawa. Ensinar Matemática em inglês é o meu mais novo desafio.

Nem entrei em casa e já tiro os sapatos, costume canadense bastante compreensível, uma vez que, durante boa parte do ano, andamos com botas cobertas de neve. Exausta, abro uma geladeira vazia. Não é fácil morar só! Decido ir ao supermercado de bicicleta, pois no Canadá logo se aprende a nunca desperdiçar um “dia bonito”.

A volta é marcada por um belo entardecer ao longo do rio, às 9 da noite. Distraída, a mente me remete aos dias em que enfrentei uma temperatura de -40º C! Difícil imaginar que, não faz nem um ano, eu ainda estava no Brasil, nutrindo aquele sonho antigo de fazer a minha primeira viagem para o exterior.

O mundo parece pequeno agora. Já os meus sonhos, estes não param de crescer.

Post rápido

Como ando sumida já faz um tempo, seguem alguns comentários rápidos, cada um com potencial de ter um post próprio:

  • Feijoada no Canadá faz bem pra pele, pra o colesterol e para a saudade;
  • Já a música brasileira ao vivo tem o poder de fazer o tempo melhorar e parar de chover, só pra o mais acanhado sair de debaixo da tenda e ir para perto do palco;
  • O Tai Chi em grupo, por sua vez, faz sinos tocarem (ao menos se o grupo estiver na frente do Parlamento “Big Ben” de Ottawa);
  • Em compensação, uma brasileira ensinando matemática em inglês (fração e porcentagens) faz uma criança ficar ainda mais confusa do que já estava antes;
  • Ao menos existe o Garage Sale Anual que, além de fazer muitos calos, faz também a alegria de milhares de pessoas que acordam cedo em pleno sábado para conferir todos os cacarecos.

E… at last but not least (por último mas não menos importante)…

Bicicleta vermelha e enferrujada – $ 40 dólares
Passear ao longo do rio em companhia de esquilos e adultos e crianças sorridentes, felizes só pelo fato de “fazer um dia bonito lá fora” – não tem preço

 

É isso. Espero que tenham gostado.

É primavera – Parte II

Recepcionada por gansos na entrada do trabalho

Recepcionada por gansos na entrada do trabalho

Da série: Você só encontra no Canadá

Chegar ao trabalho de manhã cedo com gansos canadenses para lhe receber à porta é muito bom.

Além de muito fofos, como mencionei em post anterior, o fato de já podermos vê-los de volta de sua migração para o sul anuncia que o inverno ficou mesmo para trás e que dias mais quentes estão a caminho.

O pessoal no trabalho ainda me contou que todos os anos os gansos fazem alguns ninhos bem no meio do estacionamento (protegidos por um pequeno cercado). Então logo logo terei fotos com aquela fila de filhotinhos atrás da mamãe-ganso.

É, meus queridos co-pilotos… é primavera!

Comendo o meu café-da-manhã (sucrilhos)

Comendo o meu café-da-manhã (sucrilhos)

Fortune cookies

fortunecookies

Os fortune cookies, ou biscoitos da sorte, são muito comuns no Ocidente, em países como Estados Unidos, Brasil e o próprio Canadá (curiosidade: ao contrário do que se imagina, eles não são utilizados na China).

Normalmente, dentro do biscoito, há uma frase de “incentivo”. Pode ser desde um provérbio chinês a até mesmo uma espécie de “profecia”, que anuncia a tal “boa fortuna” que está por vir. Por isso mesmo, para “dar uma força”, em geral o verso do papelzinho contém “números da sorte”, como dica para jogar na loteria.

Mas você já sabe de tudo isso. Essa introdução toda foi só para dizer que aqui o verso do papel traz a frase em francês em vez de números. Só mais um exemplo de como no Canadá tudo realmente  tem de ser apresentado nos dois idiomas oficiais.

Até que não deixa de ser um jeito de praticar, para quem já arrisca uma frase ou outra fazendo “biquinho”…

Abaixo, a fortuna que eu tirei no biscoitinho de hoje, direto do refeitório da empresa:

“You have the ability to nurture and work creatively with others”.

“Vous savez encadrer et travailler avec les autres”.

Tradução: “Você tem a habilidade de criar e trabalhar criativamente com outros”.

Telemarketing automatizado?

Telemarketing AutomáticoGente, é mesmo inacreditável!!!

A que ponto chegamos?

Acabo de receber a seguinte ligação:

“A mensagem a seguir foi gravada pela Northern Reflections…

…Não deixe de aproveitar a promoção de 20% de desconto adicionais na compra de […]”

Sério mesmo, se é que é possível, conseguiram deixar o que já era incoveniente mais insuportável ainda. Posso até soar ingênua, mas, para mim, colocar uma gravação “do outro lado da linha” para lhe convencer a comprar um produto é algo que até o mais ambicioso dos “capitalistas selvagens” classificaria como “passar dos limites”.

Enfim. O que custou a passar foi a raiva que me deu, mas tudo bem. Agora, que já estou mais calma,  analisando “friamente” a situação, cheguei às seguintes conclusões:

1. Que idéia genial!

“Hein? Como assim?”

Pois é, se você olhar pelo “lado bom”, agora a gente não precisa mais fingir ser educado e ficar constrangido de desligar o telefone “na cara” do vendedor. É só uma gravação mesmo…

2. Se não tivesse escutado a primeira frase, que informava se tratar de uma gravação, provavelmente eu levaria algum tempo para perceber.

Só não sei dizer se porque a gravação foi feita “com todo o carinho” ou se o fato é que já estamos acostumados a “atendentes de telemarketing” cada vez mais robotizados…

Fim dos "atendentes de telemarketing"?Será esse então o fim dos “atendentes de telemarketing”?

Sei que é exagero e isso está longe de acontecer, mas só essa possibilidade já me fez imaginar uma legião de “ex-consultores de call center” tentando se ajustar a um mundo “imprevisível”, onde não há um “script” a ser seguido. Eu me pergunto: O que um atendente de telemarketing teria a dizer ao mundo ao se ver “libertado”, senhor absoluto de suas próprias falas?