Até tu, Canadá?

E eis que hoje, depois de me empacotar toda para mais um dia nesse “admirável mundo novo” e seguir por uma trilha coberta de neve já quase no joelho até a parada de ônibus, o que eu descubro?

 

Os ônibus estão em greve!!!

 

“Hã? Como assim? No Canadá também tem greve? O mundo tá perdido mesmo!”

Pois é. Que na França vive tendo greve já não é novidade, mas no Canadá? E olha que eu nem estou na parte francesa…

Também é preciso deixar essa “revolta” a que fui acometida um pouco de lado para esclarecer que greves não são algo comum por aqui. Pelo que me disseram, a última foi há 12 anos, em 1996. Detalhe: Essa durou um mês.

O que é mesmo revoltante é que aqui, em Ottawa, os motoristas de ônibus, apesar de viverem sob o stress característico da profissão, são muito bem pagos e, só para completar, são funcionários públicos, com direito a todos os benefícios e regalias que vêm com o “pacote”.

Foi pedido um aumento de 10% no salário e a contraproposta foi de 7%, o que não é nada mal em tempos de crise. Além disso, foi oferecido um “bônus” de 2.000 dólares canadenses.

E eles ainda têm a audácia de dizer que a greve “não é por dinheiro”.  O que não deixa de ser uma forma de tornar ainda mais nítido que tudo o que eles querem é “mamata”. Por exemplo, eles já se dão ao luxo de ter direito a um número de “sick days” anual (licença por motivo de doença) a que estão isentos de apresentar atestado. Ou seja, eles podem simplesmente ligar dizendo que estão doentes e pronto, nada mais é questionado. E o que eles querem? O “direito” a mais dias de falta sem “atestado médico”, é mole?

A impressão que dá é a de que eles escolheram justamente esse período – com o perdão da palavra – de sacanagem mesmo. Poxa, época de fim de ano, em que todo mundo vai às compras, todos os estudantes estão em exames finais, todo mundo atolado no trabalho por conta do fechamento de ano e, só para um “toque final” com “requintes de crueldade”, quando a sensação térmica está chegando aos 29 graus negativos!!!

Olhe, sei não, viu?

Só digo uma coisa: ainda bem que a minha empresa permite que os funcionários trabalhem de casa todos os dias

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