Um lápis

Foto: Getty images
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Outro dia estava conversando com minha mãe pelo Skype. Como é comum entre a gente, ao mesmo tempo em que nos falávamos eu estava distraída vendo alguma coisa no meu computador e ela estava trabalhando no dela, fazendo relatórios.

A gente gosta de conversar desse jeito porque assim parece até que eu estou com ela, lá em casa, no escritório, onde costumávamos fazer a mesma coisa: conversar enquanto cada uma se ocupava com suas atividades.

Melhor que isso só conversar com Mainha pelo telefone enquanto lavo pratos, mas essa já é uma outra história.

Voltando…

Em dado momento, eis que minha mãe pergunta, em tom de brincadeira:

“Filha, você por acaso viu o meu lápis?”

Para continuar a brincadeira, eu respondo:

“Ah, mãe! A senhora colocou o lápis bem aí no lado direito do notebook”, ao que minha mãe dá uma gargalhada, já que sabe que eu não posso ter visto onde ela o colocou.

Qual não é a sua surpresa quando encontra o lápis exatamente onde eu disse que estava.

“E não é que estava aqui mesmo? Como você soube? Viu pela webcam?”

Por essa eu também não esperava. Acho que a gente se conhece tão bem que até adivinha essas coisas.

Cada vez mais percebo que não importa a distância física, pois sei que no fundo sempre estaremos próximas, uma cuidando da outra.

De 10 de fevereiro.

Biscoitos de escoteiro

Biscoitos de escoteiras

Biscoitos de escoteiras

Mais uma cena de filme: Meninas escoteiras vendendo biscoitos de porta em porta.

Tudo bem que não foi bem assim que eu terminei comprando os tais biscoitos. Uma colega de trabalho foi quem vendeu as caixas para ajudar a Girls Guide (escoteiras do Canadá) a arrecadar fundos. Consegui a última! Elas acabaram rápido porque o comentário geral era de que “esse é gostoso!”, em uma clara referência ao fato de normalmente esse biscoito ser meio ruinzinho e a pessoas só o comprarem “para ajudar” mesmo.

Enfim. Ser escoteira é só mais um aspecto da infância-americana-de-filmes que eu não tive, junto com uma casa na árvore (tree house) e escaninho no colégio (locker).

O escotismo (do inglês Scouting)  é um movimento voluntário e sem fins lucrativos criado no início do século XX pelo militar inglês Robert Baden-Powell. Nele, o jovem aprende a trabalhar em equipe, bem como práticas de “vida ao ar livre”, como acampar, acender fogueira, usar bússola etc. O movimento feminino, Girl Guides, no Brasil chamado de Bandeirantismo ou Guidismo, foi fundado pela irmã de Robert, Agnes. Mesmo hoje em dia tropas mistas ainda são exceção.

 

Curiosidades

Nomenclatura: Os escoteiros-mirins são chamados “lobinhos” no Brasil. Em inglês, os meninos são os cubs e as meninas, brownies. Somente depois eles se tornam “escoteiros de verdade” e, finalmente, Guias (nomenclaturas diversas).

Números: Dos cerca de 40 milhões de escoteiros espalhados por mais de 200 países no mundo inteiro, mais da metade está concentrada nos seguintes países, nesta ordem:  Indonésia, EUA, Índia e Filipinas. No Brasil, o movimento ainda não é muito difundido.

Sempre Alerta (Be prepared): O lema dos escoteiros e o seu sistema de valores baseado na honra e lealdade é a sua marca registrada. Ainda assim, nunca estamos livres de desvios de conduta… Basta assistir à cena abaixo do longa de animação da Sony “A Casa Monstro” (Monster House) e conferir.

Verdade seja dita, após rever o trecho, percebi que a “vendedora” não é escoteira, e sim apenas uma estudante. Ainda assim, a cena é impagável e eu diria que preocupantemente engraçada.

 

 

E aí? O que acharam?

Post rápido

Como ando sumida já faz um tempo, seguem alguns comentários rápidos, cada um com potencial de ter um post próprio:

  • Feijoada no Canadá faz bem pra pele, pra o colesterol e para a saudade;
  • Já a música brasileira ao vivo tem o poder de fazer o tempo melhorar e parar de chover, só pra o mais acanhado sair de debaixo da tenda e ir para perto do palco;
  • O Tai Chi em grupo, por sua vez, faz sinos tocarem (ao menos se o grupo estiver na frente do Parlamento “Big Ben” de Ottawa);
  • Em compensação, uma brasileira ensinando matemática em inglês (fração e porcentagens) faz uma criança ficar ainda mais confusa do que já estava antes;
  • Ao menos existe o Garage Sale Anual que, além de fazer muitos calos, faz também a alegria de milhares de pessoas que acordam cedo em pleno sábado para conferir todos os cacarecos.

E… at last but not least (por último mas não menos importante)…

Bicicleta vermelha e enferrujada – $ 40 dólares
Passear ao longo do rio em companhia de esquilos e adultos e crianças sorridentes, felizes só pelo fato de “fazer um dia bonito lá fora” – não tem preço

 

É isso. Espero que tenham gostado.

Bazar de garagem – Parte I

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Acredito que todos já viram ao menos algumas dessas cenas em filmes de sessão da tarde:

Crianças/Escoteiros vendendo limonada numa barraquinha na frente de casa com uma plaquinha escrita a mão (25 ¢);

Família fazendo um churrasco no quintal de casa com carne de hambúrguer e salsicha de hot dog;

Banda de adolescentes tocando na garagem;

Músicos de rua e seus chapéus/cases de instrumentos à espera de contribuições (em sua maioria moedas e notas de 1 dólar).

Pessoas vendendo de tudo um pouco na frente de casa em um Garage Sale, ou “Bazar de Garagem”, também chamado Yard Sale (Bazar no Quintal).

Garage Sale

 O post era só para falar do último item da lista, mas de tão rico, o The Great Glebe Garage Sale (O Grande Bazar de Garagem do Glebe) engloba também todos os outros.

Trata-se de um bazar de garagem coletivo que ocorre anualmente em todo o bairro do Glebe em Ottawa. Outros bairros também organizam eventos parecidos, mas nenhum é tão famoso ou “tradicional” quanto o do Glebe, que existe há mais de 20 anos e atrai milhares de pessoas, até mesmo de outras cidades.

Foi uma experiência incrível, fica até difícil de narrar. Só vendo para entender. Por isso mesmo eu fiz uma filmagem do evento. Vou levar algum tempo para editar o vídeo e passar as fotos para o computador, então por enquanto deixo vocês com esse link, que contém diversas fotos do garage sale do ano passado, só para dar um gostinho.

“Sim, mas e tinha coisa interessante? Você comprou alguma coisa?”

BoggleTinha muito cacareco, utensílios de cozinha, peças de roupa, brinquedos e outros. Ouvi algumas pessoas reclamando que o bazar “já teve dias melhores”, que antigamente se conseguia encontrar móveis e tudo mais.

Bem, eu comprei um joguinho de letras bastante conhecido por aqui e nos EUA chamado Boggle (por 2 dólares) e… tan dan dan dan… Uma bicicleta!!!

Foi um achado. Na verdade nem foi bem no bazar que eu comprei, mas em uma loja de bicicletas usadas que lucrou muito com a movimentação proporcionada pelo garage sale. A bicicleta custou apenas 40 dólares canadenses! (uns 60 reais)

Depois publicarei também fotos dessa minha mais nova – embora um pouco enferrujada – companheira de aventuras.

Construção

construção

No Canadá, verão é sinônimo de construção

Para encarar o frio aqui no Canadá é necessário, antes de mais nada, muito bom humor. E isso o canadense tem de sobra. Olha só como o pessoal costuma definir as estações:

“Em Montreal há duas estações: INVERNO e JULHO”.

(lembrando que, como estamos no hemisfério norte, junho, julho e agosto seriam os meses do verão)

As quatro estações em Ottawa:

Almost Winter, Winter, Still Winter and Construction”

(Quase Inverno, Inverno, Ainda Inverno e Construção)

Essa última, “construção”, refere-se ao período do “verão”, que é praticamente a única estação em que é possível “construir” aqui no Canadá. Então nessa época parece mesmo que a cidade inteira está em obras, sempre há pequenos detours (desvios) nos trajetos de ônibus por conta de ruas bloqueadas para reformas e há guindastes e equipamentos de construção pesada em toda a parte. Afinal é esse o tempo que eles têm para construir novos prédios e garantir que as estradas resistam ao inverno (e a todo o sal e tratores utilizados para retirar a neve).

Cheguei até mesmo a ficar preocupada: “será que esse pessoal todinho da construção fica o inverno inteiro desempregado?”

Não tenho como afirmar, mas acredito que é justamente esse pessoal quem cuida da operação dos inúmeros tratores de neve em todos os seus tamanhos e formatos, feitos na medida para se adequar de grandes estradas a estreitas calçadas.

Enfim. São tantas as piadas e os comentários sobre o inverno que não dá para escrever tudo em um só post.

Então fiquem ligados que na próxima semana tem mais.