Efeito bumerangue

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Quanto mais forte você atira uma tarefa para longe, maior a força com que ela volta para você.

Lição 1: Experiência

lavando roupa

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“Experience is a hard teacher because she gives the test first, the lesson afterwards.” Vernon Sanders Law

“A experiência é uma professora rígida, pois primeiro ela aplica o teste. A lição só vem depois.”

E essa deve ser a lição nº 1 do Manual de Sobreviência de qualquer “aventureiro”.

PS: Foto meramente ilustrativa.

Come back Cintia, the movies miss you

Movies just aren't magical without youO e-mail com essa mensagem eu recebi em 5 de maio, mas só agora encontrei tempo para comentar.

Achei incrível essa ação de Marketing de Relacionamento, que foi enviada pela empresa do meu “cartão fidelidade” (Scene Card) do Cineplex, a rede de cinemas mais famosa daqui.

O e-mail traz o seguinte pedido: “Volte Cintia, os filmes sentem a sua falta”. E ainda completa: “Os filmes simplesmente perdem a magia sem você. Faz tanto tempo desde que vimos você no cinema”.

Pode parecer uma ação boba, mas cai como uma luva para o seu público-alvo, os cinéfilos. O sistema identificou que eu costumava ir ao cinema com certa frequência e que já faz bem uns 2 ou 3 meses que eu não vou. Ora, é claro que, como cinéfila, eu sinto falta de ir ao cinema, mas a falta de tempo e outras circunstâncias me impedem de ir. Receber então uma mensagem dizendo que os filmes também “sentem minha falta” é um mimo muito bemvindo.

Essa frase me fez ainda refletir sobre tudo o que tenho sentido falta de fazer. Aquele tipo de coisa que você gosta de fazer, mas tem de deixar de lado em favor de outras. De tão características, elas fazem parte da sua própria essência e parece até que você não se sente você mesmo quando deixa de fazê-las. Escrever foi a primeira coisa que me veio à mente. A imagem do meu blog pedindo para que eu voltasse me abriu um sorriso desses de canto de boca, pelo absurdo: “Volte Cintia, o blog sente a sua falta”.

Bem, farei o possível para atender ao seu pedido.

Um dia na minha vida canadense

Terça-feira. A rotina puxada começa cedo, com uma reunião via áudio-conferência às 7 da manhã! O horário incômodo deve-se ao fato de que participam dessa ligação países do outro lado do globo, como Malásia e Austrália, entre outros. Durante o dia ainda enviarei e-mails para França, Romênia e Índia. Estamos na etapa final da fase 1 do projeto! 

Vejo no calendário que hoje é dia dos “aniversariantes do mês” aqui no RH. Mais uma vez tenho de me lembrar que no “Parabéns” do Canadá não se bate palmas. Saio atrasada rumo ao trabalho voluntário na Biblioteca Sede, no centro de Ottawa. Ensinar Matemática em inglês é o meu mais novo desafio.
Nem entrei em casa e já tiro os sapatos, costume canadense bastante compreensível, uma vez que, durante boa parte do ano, andamos com botas cobertas de neve. Exausta, abro uma geladeira vazia. Não é fácil morar só! Decido ir ao supermercado de bicicleta, pois no Canadá logo aprendemos a nunca desperdiçar um “dia bonito”.
A volta é marcada por um belo entardecer ao longo do rio, às 9 da noite. Distraída, a mente me remete aos dias em que enfrentei uma temperatura de -40º C! Difícil imaginar que, não faz nem um ano, eu ainda estava no Brasil, recém-chegada à AIESEC Recife, com aquele sonho antigo de fazer a minha primeira viagem para o exterior.
O mundo parece pequeno agora. Já os meus sonhos, estes não param de crescer.  

Vejo no calendário que hoje é dia dos “aniversariantes do mês” no RH. Mais uma vez tenho de me lembrar que no “Parabéns” do Canadá não se bate palmas. Saio atrasada rumo ao trabalho voluntário na Biblioteca Sede, no centro de Ottawa. Ensinar Matemática em inglês é o meu mais novo desafio.

Nem entrei em casa e já tiro os sapatos, costume canadense bastante compreensível, uma vez que, durante boa parte do ano, andamos com botas cobertas de neve. Exausta, abro uma geladeira vazia. Não é fácil morar só! Decido ir ao supermercado de bicicleta, pois no Canadá logo se aprende a nunca desperdiçar um “dia bonito”.

A volta é marcada por um belo entardecer ao longo do rio, às 9 da noite. Distraída, a mente me remete aos dias em que enfrentei uma temperatura de -40º C! Difícil imaginar que, não faz nem um ano, eu ainda estava no Brasil, nutrindo aquele sonho antigo de fazer a minha primeira viagem para o exterior.

O mundo parece pequeno agora. Já os meus sonhos, estes não param de crescer.

Para os filhos

Você vai aprender, filho. Que a intensidade pode roubar você de si mesmo. Que é preciso leveza para se pertencer. Você vai aprender a se distrair no meio do caminho – para ter o privilégio de errar. Vai aprender que as descobertas estão nos atalhos. E que é preciso alcançar o escuro denso para estar diante de todas as possibilidades. Você vai aprender a se deitar noite escura e amanhecer ensolarado. E vai entender que na perda mora o verdadeiro começo. Talvez você leve meia vida para isso. Talvez mais, como eu. Mas até lá, olha que sorte: eu vou estar segurando a sua mão.

Cristiana Guerra, autora do livro e blog Para Francisco. Post original aqui.

Um Feliz Dia para todas aquelas que “seguram a nossa mão” ao longo de toda a nossa vida.

Amazing Grace

Quando você embarca em uma viagem como essa, são incontáveis as expectativas. Afinal, você irá conhecer lugares e pessoas diferentes, “aprender a se virar sozinho” e viver experiências incríveis. Vem à mente algo como “ver a neve”, patinar no gelo e diversas idas a museus, shows, teatros…

No entanto, eu acho que o que marca mesmo em uma viagem são as situações inesperadas, daquelas que nem o mais experiente dos viajantes poderia prever em seu check-list. Eu já esperava ter várias histórias para contar sobre “estar perdida no meio da cidade” ou sobre as minhas inúmeras “quedas no gelo”, mas nunca imaginei vivenciar metade das experiências por que de fato estou passando.

Hoje, pela primeira vez em minha vida, eu fui a um enterro.

Mas não hás de ficar triste, querido co-piloto. Esse post não tem essa intenção. Acho importante aprendermos com nossas experiências, bem como as compartilharmos. Por isso, decidi escrever também sobre essa situação que, apesar das circunstâncias, não deixa de ser um modo de aprender um pouco mais sobre esse país e sua cultura.

Segue então o meu relato sobre essa experiência.

A mãe de uma colega de trabalho que é bastante próxima faleceu e todos nós fomos ao velório e ao enterro que, no Canadá, costuma acontecer uns 5 dias após o falecimento (não há missa de 7º dia geralmente). Hoje a “escolha” mais comum é a cremação, até porque é a opção de menor custo (e, como vocês verão mais adiante, além disso há certas questões práticas, por assim dizer). As pessoas mais idosas ainda têm um pouco de resistência a esse “método” e há também aspectos religiosos envolvidos. No “caso” em questão houve um “enterro tradicional”.

No velório, o caixão estava fechado. Em todo caso, normalmente o corpo é embalsamado. Havia flores, cartões, fotos e outros objetos que lembravam a pessoa falecida. O culto foi celebrado na própria casa funerária. Devido ao imenso número de religiões no Canadá (tanto cristãs quanto não-cristãs), algumas famílias preferem proceder dessa forma, com uma espécie de “culto ecumênico” em vez do deslocamento para um templo de determinada religião.

O curioso da cerimônia é que o pastor parecia um Rock Star (opinião compartilhada por outras pessoas). Ele tinha “cabelo espetado” (spike hair em inglês), embora estivesse com a tradicional vestimenta preta. Assim que chegou ao altar, o pastor pegou um violão, pendurou-o no pescoço e começou a cantar um dos cânticos do livreto, I come to the garden alone. Não por acaso, Elvis Presley imortalizou essa música (clique para ouvir). A voz do pastor era mesmo muito bonita e contribuiu para o clima pretendido de “celebração da vida” do ente querido em oposição à pura lamentação de sua morte.

É de chamar a atenção como no Canadá há que sempre se considerar a diversidade. O pastor falou algo como “Ainda que Lhe demos nomes diferentes, o Senhor é o mesmo Deus para todos”.

O discurso feito pela minha colega de trabalho em homenagem à sua mãe foi muito tocante. Nele, ela citou a música favorita da mãe, a qual reproduzo trecho da letra:

We’ll meet again [Nós nos encontraremos de novo]
Don’t know where
[Não sei onde]
Don’t know when
[Não sei quando]
But I know
[Mas eu sei]
We’ll meet again
[Nós nos encontraremos de novo]
Some sunny day
[Em algum dia ensolarado]

Clique para ver o resto da letra

Procurei na Internet e vi que, além da versão mais conhecida, de Vera Lynn, a também britânica Julie Andrews gravou a música em um especial de TV. A música tornou-se um marco durante e após a 2ª Guerra Mundial, uma vez que os soldados e as suas famílias não sabiam ao certo se os mesmos retornariam, como muitos de fato não retornaram.

Coincidentemente, a música de encerramento da cerimônia, talvez a música gospel mais famosa no mundo (depois de Oh Happy Day), também foi marcante durante uma guerra. Amazing Grace, também interpretada por Elvis Presley entre tantos outros, foi uma espécie de hino para ambos os lados da Guerra Civil dos EUA, no final do século XVIII, embora tenha sido escrita por um britânico.

O funeral aconteceu em um dia bastante ensolarado (afinal é primavera), embora estivesse muito frio, mais ou menos 15 graus negativos (afinal é Canadá). Ao menos quase toda a neve já havia derretido. Perguntei a uma colega como era o “procedimento” durante o inverno, uma vez que está tudo coberto de neve. Ela explicou que nesses casos o corpo é mantido em uma cripta até que possa ser enterrado (o que pode demorar meses). Como eu disse anteriormente, é mais um motivo para a cremação ser preferência da maioria.

Após o enterro no cemitério, voltamos à funerária para aquela parte em que vários pratos são servidos e as pessoas conversam animadamente (algo meio que difícil de entender, mas que é semelhante em qualquer lugar do mundo).

Enfim. Acredito que tudo que eu descrevi é bem próximo do que acontece no Brasil, mas no Canadá esse rito pode ser realizado de diversas formas, especialmente se você considerar o número de imigrantes orientais, que de um modo geral têm uma visão diferente da cristã ocidental.

Para fechar, deixo o comentário que ouvi quando uma situação cômica ocorreu durante a cerimônia, dessas com alguém um tanto quanto desajeitado ou desastrado, em que ninguém conseguiu segurar o riso:

“One laugh at the strangest moments…” (As pessoas riem nos momentos mais estranhos)